A direção da Ducati fez um raro alerta público após a sequência de resultados abaixo do esperado da marca na temporada atual da MotoGP. Depois de registrar 88 provas consecutivas com pelo menos um representante no pódio, a fabricante saiu zerada do Top-3 no Grande Prêmio da Tailândia. Na etapa seguinte, disputada no Brasil, o melhor desempenho veio apenas com o terceiro lugar de Fabio Di Giannantonio; Marc Márquez terminou em quarto, ambos muito distantes das Aprilia conduzidas por Marco Bezzecchi e Jorge Martín, que dominaram a corrida.
Questionado sobre o momento instável, um dos principais executivos da escuderia afirmou que não é realista esperar que Márquez resolva todos os desafios enfrentados pela equipe. “Não podemos esperar que Márquez sempre resolva nossos problemas”, declarou o dirigente, reforçando a necessidade de um trabalho coletivo mais consistente para devolver a Ducati às primeiras posições.
O alerta interno veio na esteira de resultados que contrastam com o histórico recente da marca, campeã do mundo em anos consecutivos e detentora de uma longa lista de vitórias e poles. O fim da série de 88 pódios evidencia, segundo o chefe do time, que a competitividade do grid aumentou e que rivais como Aprilia atingiram um nível de acerto capaz de ameaçar a hegemonia italiana nos últimos campeonatos.
No GP da Tailândia, nenhuma Ducati conseguiu acompanhar o ritmo das concorrentes na fase final da prova, fator que chamou a atenção dos engenheiros para o desgaste dos pneus e para a performance em voltas velozes sob alta temperatura. Já na etapa brasileira, Di Giannantonio salvou o lugar no pódio, mas a diferença para os dois primeiros ultrapassou a casa dos dez segundos, sinalizando que ajustes mecânicos e eletrônicos ainda não surtiram efeito total.
Marc Márquez, recém-integrado ao projeto após anos de domínio com outra fabricante, tem sido apontado internamente como peça-chave para acelerar o desenvolvimento do protótipo. Mesmo assim, a fala do dirigente reforça que o espanhol não deve ser visto como “solução mágica” para cada dificuldade que surgir ao longo do campeonato. A orientação é de que todos — pilotos, mecânicos e estrategistas — participem igualmente no processo de evolução da Desmosedici.
Apesar do revés recente, a equipe mantém o foco em retornar às primeiras colocações nas próximas etapas do calendário. Os engenheiros trabalham em atualizações aerodinâmicas e em um novo mapa eletrônico que será testado ainda antes da pausa de verão. O objetivo, segundo o comando da Ducati, é restabelecer a regularidade de pódios o quanto antes e sustentar a luta pelo título mundial até a última corrida.
Fonte: MotorSport





