No ano de 1991, o Brasil experimentava a recente abertura das importações, promovida pelo governo de Fernando Collor. Nesse cenário de mudanças, a Citroën decidiu trazer ao país alguns de seus modelos mais avançados, incluindo o acessível Citroën BX e o sofisticado Citroën XM.
O Citroën XM desembarcou no Brasil em outubro de 1991 com a missão de conquistar o mercado de sedãs de luxo, competindo com renomados modelos como o Mercedes-Benz Classe E, o BMW Série 5 e o Alfa Romeo 164. Um dos principais atrativos do XM era sua suspensão inovadora, que oferecia um nível de conforto superior aos veículos nacionais da época.
O modelo se destacava por seu sistema de suspensão Hydractive, uma tecnologia hidropneumática que utilizava gás nitrogênio, fluido hidráulico especial e sensores eletrônicos, permitindo ajustes contínuos no comportamento do veículo. Essa suspensão era capaz de manter a altura do carro constante, independentemente da carga, e adaptava-se às condições do piso, proporcionando um conforto impressionante quando estava em perfeito funcionamento.
Contudo, essa sofisticação trazia consigo um preço elevado em termos de manutenção. À medida que o XM enfrentava as realidades das ruas brasileiras, surgiram problemas como vazamentos hidráulicos e perda de eficiência das esferas de suspensão, resultando em um veículo que perdia altura e conforto ao dirigir.
“Diagnosticar os defeitos já era complicado. Consertá-los era ainda pior”, afirmou um proprietário do modelo.
A complexidade do sistema e a necessidade de manutenção frequente rapidamente condenaram o XM. Muitos proprietários enfrentaram dificuldades para encontrar profissionais capacitados e peças de reposição, que frequentemente eram escassas e caras. Na época de seu lançamento, o XM custava cerca de US$ 100 mil, o que, ajustado pela inflação, equivale a aproximadamente US$ 240 mil hoje, ou cerca de R$ 1,2 milhão.
Além do preço elevado, o modelo também sofria uma forte desvalorização no mercado de usados, pois a preocupação com os custos de manutenção fazia o valor do veículo despencar rapidamente.
Outro ponto crítico era o motor V6 de 3.0 litros e 171 cv, que apresentava problemas de superaquecimento, especialmente em condições de tráfego intenso e altas temperaturas brasileiras. Para tentar mitigar esse problema, muitos proprietários realizavam manutenções preventivas, como trocas antecipadas do líquido de arrefecimento e instalação de ventoinhas mais potentes. Mesmo com esses cuidados, os problemas de superaquecimento continuavam a ser comuns.
A Citroën manteve o XM disponível no mercado até 1999, com cerca de 550 unidades vendidas durante os oito anos de importação. O modelo acabou se tornando um carro de nicho, destinado a entusiastas da marca que se fascinavam por sua tecnologia, mas que também enfrentavam altos custos de manutenção e dificuldades para encontrar peças.
Atualmente, acredita-se que restam poucas unidades do Citroën XM em funcionamento no Brasil. Sua suspensão Hydractive requer manutenção constante para evitar o ressecamento de componentes e a deterioração das esferas que garantem o funcionamento do sistema.
O Citroën XM entrou no mercado brasileiro como um símbolo de inovação e tecnologia, mas sua jornada foi marcada por desafios que culminaram em uma reputação de carro complicado e caro de manter. Uma história que, embora cercada de expectativa, se despediu em meio a críticas, tornando-se uma das narrativas mais curiosas da indústria automobilística do país.









