A Nissan confirmou nesta semana a descontinuação das vendas do Sentra no Brasil, de acordo com informações da fabricante japonesa. A atual geração, que era importada do México, deixa o portfólio da marca após cerca de três anos de comercialização. Em comunicado oficial, a Nissan classificou a decisão como parte do ‘ciclo de vida natural’ do produto e não forneceu detalhes sobre planos imediatos para um substituto direto.
A saída do Sentra não surpreende quem acompanha as vendas no Brasil. Entre janeiro e junho deste ano, o sedã médio registrou apenas 341 unidades emplacadas, com apenas nove vendas em junho. Em contraste, o líder da categoria, o Toyota Corolla, emplacou 13.021 exemplares no mesmo período, segundo dados da Fenabrave.
Apesar de contar com um design atualizado e uma lista de equipamentos que deveriam atrair os consumidores, o Sentra não conseguiu conquistar o mercado. Nos últimos meses, a rede de concessionárias tentou reverter esse cenário por meio de bonificações significativas, que teriam chegado a R$ 30 mil, sem sucesso. A redução de preços também não foi suficiente para aumentar as vendas do modelo, que perdeu espaço para SUVs e novos rivais híbridos e elétricos, que oferecem maior liquidez no mercado de usados.
O Nissan Sentra era equipado com um motor 2.0 aspirado, que entregava 151 cv e torque de 20 kgfm, associado a um câmbio CVT e tração dianteira. Suas dimensões eram de 4,64 m de comprimento, 1,82 m de largura e 2,71 m de entre-eixos, com um porta-malas que comportava 466 litros, cerca de 37 litros a menos que a geração anterior. No Brasil, a linha 2026 era oferecida nas versões Advance e Exclusive, com preços sugeridos entre R$ 174.490 e R$ 198.790.
A retirada do Sentra do mercado reforça a estratégia da Nissan de concentrar esforços em modelos com maior demanda, como os SUVs Kicks e Kait, mantendo apenas o Versa 1.6 entre os sedãs de entrada. A grande questão agora é o que a marca planeja para ocupar o espaço deixado pelo Sentra. Nos bastidores, há especulações sobre a introdução de um modelo chinês eletrificado, especificamente o N7, um sedã elétrico desenvolvido pela joint venture Dongfeng Nissan, que já foi flagrado em testes no Brasil.
O N7 é um sedã totalmente elétrico, fabricado em Guangzhou, na China, e chegou às concessionárias chinesas em abril de 2025. O modelo é maior que o Sentra, medindo 4,93 m de comprimento, 1,90 m de largura e 2,92 m de entre-eixos, e oferece duas opções de bateria de 58 kWh e 73 kWh, com motores que variam de 218 cv a 272 cv. Sua autonomia no ciclo de teste chinês CLTC varia entre 510 km e 635 km. No mercado chinês, o preço do N7 varia de 119.900 a 149.900 yuans, o que equivale a aproximadamente R$ 91 mil a R$ 114 mil, sem considerar impostos de importação.
A possibilidade de o N7 chegar ao Brasil não é meramente especulativa, visto que uma unidade do sedã já foi vista em circulação no país. A Nissan confirmou que começará a exportar veículos elétricos fabricados na China para outros mercados em 2026, embora não tenha especificado o Brasil como um dos destinos iniciais. Em termos de preço, estimativas indicam que, se a Nissan optar por importar o N7 diretamente, sem produção local, o preço no Brasil pode variar entre R$ 180 mil e R$ 225 mil, levando em conta custos de importação, tributos e margem de revenda.










