O rádio AM, embora tenha diminuído sua presença no cotidiano dos motoristas, voltou a ser pauta de discussão no cenário automotivo dos Estados Unidos. Um projeto de lei em tramitação no Congresso visa tornar obrigatório o equipamento de rádio AM em todos os veículos novos comercializados no país, um movimento que contrasta com a tendência das montadoras de eliminar essa tecnologia, especialmente em carros elétricos.
A proposta, chamada de AM Radio for Every Vehicle Act, faz parte de um pacote de infraestrutura de transporte que conta com apoio tanto de democratas quanto de republicanos e pode ser votada até o dia 30 de setembro. No entanto, a disputa em torno desse projeto vai além da simples obrigatoriedade.
“O rádio AM é a espinha dorsal do sistema de alertas de emergência dos EUA”, afirmam defensores da proposta.
De um lado, a indústria de radiodifusão, representada pela National Association of Broadcasters (NAB), lidera a campanha pela obrigatoriedade, respaldada por mais de 125 organizações, incluindo ex-administradores da FEMA e a associação de aposentados AARP. O argumento central é que, em situações de emergência, o rádio AM é fundamental para a disseminação de informações, já que 77 estações, principalmente em amplitude modulada, recebem dados diretamente do governo e alcançam 90% da população. Em situações críticas, quando a energia é cortada e as redes de celulares falham, o rádio do carro pode tornar-se a única fonte confiável de informação por dias.
Por outro lado, as montadoras, representadas pela Alliance for Automotive Innovation, que inclui empresas como Ford, Volkswagen e Toyota, argumentam que a questão é tanto técnica quanto financeira. Os sistemas de alta tensão dos carros elétricos geram interferência eletromagnética que compromete o sinal AM. Blindar a fiação necessária para resolver essa questão pode encarecer o projeto. O setor estima que cada receptor de rádio AM pode custar até US$ 70 (aproximadamente R$ 359), totalizando um investimento que pode chegar a US$ 3,8 bilhões (cerca de R$ 19,5 bilhões) até 2030. Vale ressaltar que marcas como Ford e Tesla já haviam iniciado a descontinuação do AM em seus modelos elétricos.
No Brasil, a tendência é oposta: o país está desativando gradualmente o rádio AM. Desde o decreto 8.139, de 2013, as emissoras em ondas médias têm a opção de migrar para o FM, com uma adesão que já atinge 96% das 1.781 concessões existentes. De acordo com o Ministério das Comunicações, até março de 2025, 1.324 rádios já operavam na nova faixa, muitas delas no FM estendido (76,1 a 87,3 MHz). A justificativa para essa transição é semelhante à que está esvaziando o dial nos EUA: a perda de audiência devido a ruídos e interferências.





