Raridade e manutenção simples transformam SP2, TL e Karmann-Ghia TC em desejo de colecionadores europeus. Luiz Goshima, do Museu Carde, afirma que o interesse pelos VW refrigerados a ar é antigo.
A crescente busca por modelos clássicos como Volkswagen SP2, TL e Karmann-Ghia TC na Europa posiciona o Brasil como uma importante fonte de exportação de carros refrigerados a ar. A raridade desses esportivos, somada à facilidade de manutenção mecânica, explica o grande interesse de colecionadores europeus por veículos que, no Brasil, são frequentemente considerados ultrapassados em design.
Em um diálogo sobre este fenômeno, o diretor do Museu Carde, Luiz Goshima, destacou a longa história desse interesse: “Sempre teve uma curiosidade muito grande dos modelos do Brasil que não foram lá para fora”. O movimento de exportação começou com a Kombi, que passou a ser enviada para países como Alemanha e França, onde a demanda por vans para restauração elevou os preços no mercado interno.
A demanda logo se expandiu para outros modelos de passeio desenvolvidos pela divisão brasileira da Volkswagen, que nunca foram oficialmente vendidos na Europa durante sua produção. O Volkswagen SP2, um dos mais icônicos, foi projetado na década de 1970 sobre a plataforma da Variant. Este modelo surgiu como uma resposta aos esportivos importados da época, apresentando carroceria em aço e um motor de 1.7 litros com 75 cv na traseira, alimentado por carburadores Solex.
Embora o desempenho do SP2, com uma aceleração de 0 a 100 km/h em 17,4 segundos e uma velocidade máxima de 153 km/h, não seja impressionante em comparação com outros esportivos, sua estética e história atraem colecionadores. Goshima enfatizou que o mercado de clássicos é peculiar e que investir nesse segmento requer mais do que apenas paixão. Ele ressaltou que “a Volkswagen tem muito disso com a história do SP2, a família do TL, do TC”, reconhecendo que, apesar de não terem valores exorbitantes no exterior, possuem um valor relativo.
O Karmann-Ghia TC, que buscou emular as proporções do Porsche 911, combinando o chassi do sedã conhecido como “Zé do Caixão” com um motor 1.6 a ar de 65 cv, enfrentou desafios como problemas de vedação e corrosão, reduzindo significativamente o número de unidades preservadas. Por outro lado, o Volkswagen TL, considerado o “Nivus dos anos 1970” por seu conceito fastback, atrai interesse internacional devido ao seu espaço interno e ao estilo de grade frontal integrada.
A combinação do design exclusivo brasileiro e da mecânica a ar simples, derivada do Fusca, facilita a restauração desses veículos por especialistas no exterior. A compatibilidade técnica da arquitetura do motor boxer com a linha europeia torna a manutenção menos complicada.
A valorização desses clássicos brasileiros é impulsionada por sua exposição em programas de televisão e matérias na imprensa europeia. Um Volkswagen SP2 bem conservado pode alcançar preços até três vezes superiores à média do mercado brasileiro na Europa.










