A compra de veículos com mais de 10 anos de idade se torna uma alternativa viável para muitos consumidores, especialmente em um cenário onde os preços dos carros novos estão cada vez mais elevados. Essa realidade fica evidente nas ruas, onde uma quantidade significativa de veículos em circulação já apresenta algumas décadas de uso. De acordo com um estudo do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), a média de idade da frota brasileira subiu para 15,43 anos, mesmo com as vendas de carros novos apresentando crescimento a cada ano.
Embora os carros com uma década de uso ainda possam se aproximar dos modelos atuais em muitos aspectos, a manutenção desses veículos exige cuidados adicionais. No Brasil, a média de quilometragem rodada anualmente é de cerca de 12 mil km, o que significa que um carro com 10 anos normalmente terá em torno de 100 mil km rodados, embora existam exceções. Assim, o plano de manutenção para esses veículos já deve incluir serviços adicionais.
De acordo com o mecânico Ludovico Ballesteros, proprietário da Pitucha Centro Automotivo, a atenção com a manutenção preventiva deve ser redobrada para veículos dessa faixa etária. Ele destaca que componentes como borrachas, mangueiras, suspensão, bomba d’água e o sistema de arrefecimento estão sujeitos a desgaste natural ao longo do tempo.
A idade dos veículos também implica que alguns serviços se tornem mais frequentes, abrangendo itens como suspensão, freios, bateria e sensores. As trocas de fluidos passam a ser mais recorrentes, o que deve ser considerado na hora da compra.
Os carros fabricados na década de 2010 trouxeram uma série de inovações tecnológicas ao mercado nacional. Modelos como Chevrolet Onix, Volkswagen Up, Ford Ka, Nissan March e Hyundai HB20 modernizaram o segmento de compactos, oferecendo recursos como centrais multimídia, câmeras de ré e câmbios automáticos, que antes eram restritos a modelos de maior valor.
Ademais, motores mais novos, como os de três cilindros 1.0, começaram a se popularizar. Modelos médios, como o Chevrolet Cruze, adotaram motores turbo com injeção direta. Contudo, Ludovico Ballesteros alerta que a eletrônica presente nesses veículos pode exigir diagnósticos precisos para evitar substituições desnecessárias de peças.
Com 10 anos de uso, o motor de um carro já terá enfrentado diferentes tipos de combustíveis, o que demanda uma checagem minuciosa. O downsizing, que refere-se à adoção de motores menores e turbinados, foi introduzido no Brasil em 2013, com o Volkswagen Golf 1.4 TSI. Apesar de trazer eficiência, os primeiros motores turbo enfrentaram desafios, como a sensibilidade à qualidade do combustível, particularmente em relação ao etanol.
Os veículos com motores aspirados costumam ser mais procurados no mercado de usados, uma vez que, apesar de apresentarem desempenho e consumo inferiores, implicam em custos de manutenção mais baixos. Em relação ao câmbio automático, que já era comum há 10 anos, a recomendação é evitar modelos automatizados problemáticos. Contudo, câmbios confiáveis, como os de marcas japonesas, ainda requerem atenção, principalmente quanto à troca de óleo, que deve ser realizada a cada 60 mil km ou 4 anos.
Portanto, possuir um carro usado com mais de 10 anos pode ser uma opção viável no Brasil, desde que o veículo seja bem mantido. A escolha do modelo e do mecânico adequado é crucial para garantir uma experiência satisfatória.







