Um incidente inusitado em um quiosque de autoatendimento resultou, temporariamente, na demissão de Kurt Kromm, um funcionário veterano da Ford, que trabalhou por 11 anos na fábrica de picapes da montadora em Louisville, Kentucky. Com 60 anos e uma média de 60 horas semanais em 2025, Kromm relatou que foi demitido sob a acusação de não pagamento de um cookie de chocolate de aproximadamente R$ 10 (US$ 1,95) no refeitório da unidade.
De acordo com seu relato ao boletim Shifting Gears, o episódio ocorreu por volta das 3h30 do dia 9 de maio, durante um turno de 12 horas. Kromm, que é diabético, afirmou que comprou o cookie após sentir tontura devido a uma baixa taxa de glicose. Ao tentar pagar com seu cartão de débito, a máquina apresentou uma tela vermelha indicando falha na transação, levando-o a utilizar um segundo quiosque para concluir a compra.
Uma semana depois, Kromm foi convocado a uma reunião com um supervisor, onde foi informado sobre sua demissão por não pagamento, com a Ford mencionando imagens de câmeras de segurança como evidência. Ele relatou que foi escoltado para fora das instalações, sem poder recolher suas ferramentas, e que um representante do sindicato o aconselhou a pedir desculpas para facilitar uma eventual reintegração. No entanto, Kromm se recusou, convicto de que havia efetuado o pagamento corretamente. Ele também comentou sobre a política de tolerância zero da empresa em relação a furtos, que já havia custado o emprego de outros cinco funcionários.
A reviravolta aconteceu quando Kromm apresentou seu extrato bancário, que comprovava o débito do cookie. Apesar disso, a Ford exigiu que o documento fosse autenticado em cartório. A Aramark, empresa que opera os quiosques, confirmou à montadora em 12 de junho que o pagamento havia sido processado, resultando na autorização de retorno de Kromm ao trabalho.
No entanto, o tempo perdido foi significativo. Kromm já havia conseguido um novo emprego, mais próximo de sua residência e com um salário superior, passando de US$ 48 para US$ 52,51 por hora, com um bônus adicional de US$ 10 por hora. Quando questionada, a Ford não comentou sobre casos individuais, mas reconheceu que em certas ocasiões percebe que a situação poderia ter sido manejada de forma diferente. Victoria Thomas, uma eletricista com 34 anos de serviço na empresa, afirmou que as falhas nos quiosques são conhecidas e que conhece pessoas que foram demitidas por causa de pequenas quantias, como uma bebida de US$ 2, sem a documentação que Kromm possuía para se defender.






