Projeto de lei barra importação e venda de veículos fabricados na China ou com hardware/software chineses por riscos à segurança e à privacidade. Tarifa de 100% sobre EVs chineses já dificulta a entrada das marcas.
Parlamentares dos Estados Unidos propõem uma proibição permanente à comercialização e à importação de veículos fabricados na China ou que utilizem hardware e software desenvolvidos por empresas chinesas. A iniciativa, apresentada como resposta a preocupações de segurança nacional e de privacidade de dados, amplia o debate sobre a presença de tecnologias automotivas de origem chinesa no maior mercado das Américas.
Atualmente, já existem barreiras comerciais que dificultam a entrada de marcas chinesas: uma tarifa de 100% sobre automóveis elétricos importados da China tem sido aplicada e impede a chegada direta de empresas como BYD, Geely e NIO ao mercado norte-americano. Ainda assim, os congressistas argumentam que taxas alfandegárias isoladas não são suficientes para conter o avanço tecnológico e apontam para a possibilidade de montagem de veículos em países vizinhos, como o México, como forma de contornar as medidas tarifárias.
O cerne do argumento em favor da proibição definitiva é a conectividade embarcada. Os congressistas afirmam que veículos elétricos e autônomos equipados com sensores, câmeras e sistemas de navegação de origem chinesa podem mapear infraestrutura crítica dos EUA e coletar informações confidenciais de cidadãos. Em função disso, o projeto de lei também prevê restrições ao uso de softwares de condução autônoma e de plataformas de infotenimento conectadas a servidores baseados na China — conceito exemplificado por plataformas de informação e entretenimento como Apple CarPlay e Android Auto, citadas como referência de integração entre veículos e serviços em nuvem.
Fabricantes tradicionais do setor automotivo se uniram à pressão parlamentar: General Motors, Ford, Stellantis, Toyota, Volkswagen, Hyundai e Honda figuram entre as empresas que apoiam a iniciativa política. Neste mês de setembro, o grupo Aliança para a Inovação Automotiva (Alliance for Automotive Innovation), composto por montadoras tradicionais, encaminhou uma carta ao Congresso dos EUA alegando que subsídios estatais concedidos por Pequim resultam em veículos elétricos com custos imbatíveis, o que poderia impactar severamente a produção local e os empregos nos Estados Unidos.
No cenário sul-americano, o movimento político nos EUA contrasta com a expansão chinesa no Brasil. Investimentos locais da BYD na Bahia, da Geely no Paraná e da GWM em São Paulo consolidam o país como alvo dessa expansão. Segundo dados da Bright Consulting, a BYD foi a marca que mais ganhou espaço no período, com 7,8 pontos percentuais; a GWM aparece com 2,9 pontos; e a Geely com 1,8 ponto percentuais. Essas dinâmicas evidenciam um confronto entre preocupações geoestratégicas sobre tecnologia embarcada e uma mudança estrutural no mercado automotivo global.








