Demanda por carros elétricos chineses supera oferta de navios-cegonha e pressiona tarifas. Em junho, afretamento médio foi US$70 mil/dia, contra US$42,5 mil no fim do ano. Em 2026, frete acumulou alta de 65%.
O aumento acelerado das exportações de veículos elétricos da China tem gerado um descompasso significativo na capacidade de transporte marítimo disponível. De acordo com informações do setor, o preço para afretar um grande navio-cegonha atingiu uma média de US$ 70 mil por dia em junho, um aumento considerável em relação aos US$ 42,5 mil registrados no final do ano anterior. No acumulado de 2026, as tarifas de frete subiram impressionantes 65%, evidenciando o desequilíbrio entre a demanda crescente por transporte e a oferta limitada de navios especializados.
Em 2019, a China exportou menos de 600 mil veículos, mas deve alcançar a marca de 10 milhões em 2026. Comparativamente, em 2025, o número de exportações foi de 7,1 milhões, e apenas em junho deste ano, o país superou a marca de 1 milhão de unidades embarcadas em um único mês, representando um crescimento de 71,2% em relação ao ano anterior. “Em cinco anos, a China passou de exportador secundário de carros ao maior do mundo”, declarou Andreas Enger, presidente-executivo da Höegh Autoliners.
A demanda crescente por transporte de veículos está pressionando as montadoras a explorar alternativas. Algumas empresas começaram a embarcar carros em contêineres comuns, utilizados normalmente para móveis e eletrônicos, devido à falta de espaço nos navios-cegonha. Lasse Kristoffersen, presidente-executivo da Wallenius Wilhelmsen, destacou que, apesar da expansão de cerca de 40% da frota global de navios, a capacidade ainda não é suficiente para atender ao volume de embarques da China, que deve crescer apenas 7,6% este ano.
O cenário de vendas domésticas em declínio, com uma queda superior a 20% no primeiro semestre de 2026, fez com que as montadoras chinesas encontrassem nas exportações uma saída para o excesso de produção. Kristoffersen estimou que até 4 milhões de veículos por ano já estão sendo enviados da China em contêineres ou outras alternativas aos navios-cegonha. A consultoria Veson Nautical projeta que esse número deve dobrar, chegando a cerca de 2 milhões em 2026.
Eric Dessupoiu, vice-presidente de logística de veículos da Ceva Logistics, explicou que os navios-cegonha são preferidos por oferecerem um processo de embarque e desembarque mais econômico e com menor risco de avarias. No entanto, com a demanda crescente, algumas montadoras, como a BYD, decidiram investir na própria frota de navios, lançando seu primeiro navio-cegonha em 2024 e atualmente operando oito embarcações.
Kristoffersen também mencionou que a capacidade de transporte está saturada e que as empresas precisam decidir qual cliente terá prioridade no embarque. Entre as regiões que estão se destacando estão Europa, Austrália e América Latina, incluindo o Brasil.





