Em funcionamento há três meses, o complexo industrial da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, já atinge ritmo diário de aproximadamente 420 automóveis montados. Inaugurada em 9 de outubro, a unidade recebeu investimento de R$ 5,5 bilhões e ocupa uma área equivalente a 646 campos de futebol, tornando-se o maior empreendimento da montadora fora da Ásia.
Do terreno da Ford ao polo de veículos elétricos
O espaço era utilizado pela Ford até janeiro de 2021, quando a montadora norte-americana encerrou a produção no Brasil. Em agosto de 2023, o Governo da Bahia adquiriu o terreno por R$ 3 bilhões e, em parceria com a Embaixada da China, buscou um novo investidor. A autorização para a instalação da BYD foi concedida no ano seguinte, após o processo de alienação da área.
Durante a construção, em dezembro de 2023, 224 trabalhadores chineses foram resgatados em situação análoga à escravidão. Um ano depois, o Ministério Público do Trabalho na Bahia firmou acordo de R$ 40 milhões com a BYD e duas empreiteiras responsáveis pela obra.
Meta elevada para 600 mil unidades anuais
Inicialmente projetada para produzir 150 mil carros por ano, a planta baiana teve a meta revisada para 300 mil e, posteriormente, dobrada pelo presidente Wang Chuanfu. O objetivo atual é alcançar 600 mil veículos anuais quando a capacidade total estiver ativada. Parte da produção será destinada a mercados da América Latina, África e outras regiões.
Processo de montagem
No momento, a linha de Camaçari monta os modelos Dolphin Mini, King e Song Pro. As carrocerias chegam da Ásia pelo Porto de Salvador e recebem motores, faróis e pneus em esteiras e elevadores automatizados. As máquinas são ajustáveis para diferentes modelos, o que permitirá incluir, a partir de 2026, o híbrido Song Pro Plus. Antes da entrega, cada veículo passa por um túnel luminoso de inspeção para verificação de qualidade.
Características e preços dos modelos
Dolphin Mini – 100 % elétrico, autonomia de até 280 km. Traz tela giratória de 10,1”, carregamento sem fio e chave presencial. Preço inicial: R$ 119.990; cores verde, preto, branco e azul.
BYD King – sedã híbrido com autonomia combinada de 1.200 km. Equipado com tela de 12,8”, câmera 360°, NFC e porta-malas de 450 litros. Valor a partir de R$ 169.900.
Song Pro – SUV híbrido plug-in de 235 cv e até 1.100 km de alcance. Dispensa chave física, oferece câmera 3D 360° e bagageiro de 520 litros. Preço inicial: R$ 189.800; disponíveis nas cores branco, cinza e azul.
Desempenho de vendas e vantagens fiscais
No acumulado de 2025, a BYD ficou em terceiro lugar nas vendas de varejo em Salvador e liderou o ranking em Vitória da Conquista, com 492 unidades. Segundo o diretor de comunicação, Pablo Toledo, quase 20 mil carros já foram produzidos. Ele ressalta que, por dispensarem combustível, os elétricos podem custar um quarto do valor gasto com veículos convencionais, atraindo especialmente motoristas de aplicativo.
Na Bahia, automóveis elétricos de até R$ 300 mil são isentos de IPVA; veículos acima desse valor pagam alíquota de 2,5 %. Para quem não dispõe de carregador residencial, há estações públicas espalhadas pelo estado.
Mercado nacional em expansão
Além da BYD, a GWM mantém fábrica de elétricos em São Paulo. Para este ano, está programada a chegada de unidades da Renault, no Paraná, e da chinesa Leapmotor, em Pernambuco. Segundo a Secretaria da Fazenda baiana, o estado registrava 8.543 veículos elétricos até a última atualização.
Com a projeção de expansão para 600 mil unidades anuais, a planta de Camaçari consolida a Bahia no mapa global da produção de veículos eletrificados, reforçando a estratégia da BYD de liderar o segmento até 2030.
Com informações de G1





