A Ferrari anunciou mudanças significativas em sua equipe de marketing, substituindo Enrico Galliera, que ocupava o cargo de diretor de marketing e comercial há 16 anos. A decisão surge em meio à repercussão negativa em torno da Luce, o primeiro carro totalmente elétrico da marca, que foi apresentado em maio em Roma.
Galliera, conhecido como ‘Dr. No’, era uma figura influente dentro da Ferrari, responsável por decidir quem poderia adquirir os modelos mais exclusivos da fabricante. Sua saída foi anunciada semanas após o lançamento do Luce, que gerou críticas severas de diversos setores, incluindo ex-executivos da própria Ferrari e autoridades italianas.
Para assumir o posto de Galliera, a Ferrari escolheu Massimiliano Di Silvestre, que começará suas atividades em 1º de julho. Ele se reportará diretamente ao presidente-executivo da empresa, Benedetto Vigna, e traz consigo mais de 20 anos de experiência no setor premium, tendo liderado as operações italianas do BMW Group.
A polêmica em torno do Luce se intensificou desde seu lançamento. Avaliado em cerca de R$ 3,25 milhões (550 mil euros), o modelo de quatro portas e cinco lugares dividiu opiniões entre especialistas e entusiastas automotivos. A estética do carro provocou comparações nas redes sociais, sendo descrito desde um ‘iPhone sobre rodas’ até uma ‘Ferrari Multipla’, referência a um modelo Fiat considerado pouco atraente.
Críticas de figuras proeminentes também se destacaram. O ex-presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, alertou que a marca poderia ‘destruir uma lenda’ e chegou a sugerir a remoção do emblema do veículo. O vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, também fez comentários irônicos sobre o design, questionando o que Enzo Ferrari diria sobre o projeto.
O Luce foi desenvolvido em colaboração com Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, e o designer Marc Newson, ambos do estúdio LoveFrom, junto ao diretor de design da Ferrari, Flavio Manzoni. A intenção era criar um modelo que marcasse uma nova era para a fabricante, sem, no entanto, deixar de lado sua herança visual, refletida em detalhes como as lanternas inspiradas nos icônicos 360 Modena e 458 Italia.
A busca por um ‘culpado’ após um lançamento polêmico não é uma novidade no setor automotivo. Situações semelhantes ocorreram em outras montadoras, como a Jaguar, que também efetuou mudanças em sua equipe após as reações ao conceito elétrico Type 00, e a Volkswagen, que viu um executivo deixar a empresa durante o escândalo do Dieselgate, mesmo sem estar diretamente envolvido na fraude.






