A Ferrari anunciou nesta quinta-feira (19) a suspensão imediata das remessas de veículos para países do Oriente Médio por causa da escalada da guerra na região. Em nota, a fabricante italiana de carros esportivos informou que “acompanha de perto os acontecimentos” e avaliou que o cenário atual exige a paralisação provisória das entregas.
De acordo com o comunicado, parte dos pedidos segue sendo atendida por via aérea, opção adotada para contornar eventuais restrições logísticas. A empresa não detalhou quais mercados foram afetados nem por quanto tempo a medida permanecerá em vigor.
Importância estratégica da região
O Oriente Médio representa parcela considerável do desempenho comercial da montadora. No balanço mais recente, referente a 2024, a Ferrari contabilizou 479 unidades vendidas nesse mercado. O volume, embora inferior ao registrado na China — 814 carros no mesmo período —, ganha relevância diante do número de pontos de venda disponíveis: são 10 concessionárias espalhadas por diferentes países, frente a apenas quatro em toda a América do Sul.
Além dos concessionários, a marca desfruta de forte presença simbólica no Golfo. Abu Dhabi abriga o Ferrari World, parque temático licenciado que se tornou vitrine para os superesportivos de Maranello. A principal atração do complexo, a montanha-russa Formula Rossa, acelera de 0 a 100 km/h em menos de dois segundos, atinge 240 km/h e submete os visitantes a forças de até 4,8 g — desempenho que reforça a imagem de alta performance cultivada pela empresa.
Monitoramento constante
Na mensagem divulgada à imprensa, a Ferrari ressaltou que revisará a decisão “conforme o desenrolar dos fatos” e reiterou o compromisso de priorizar a segurança de clientes, parceiros e equipes. A montadora não sinalizou impactos imediatos sobre a produção em Maranello, mas reconheceu que a instabilidade na região pode influenciar resultados financeiros futuros.
Até o momento, outras marcas de luxo não anunciaram iniciativas semelhantes, embora o setor automotivo acompanhe a situação com cautela. Caso o conflito se prolongue, analistas avaliam que novas interrupções logísticas podem ocorrer, elevando custos de transporte e prazo de entrega de veículos para mercados afetados.
A suspensão no Oriente Médio é o primeiro grande ajuste operacional promovido pela Ferrari desde o início das hostilidades. A companhia continuará avaliando alternativas para manter o fornecimento, inclusive a ampliação das rotas aéreas já em uso.
Com informações de G1





