O aumento do percentual de etanol na gasolina de 30% para 32%, aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e que entrará em vigor no dia 1º de agosto, levanta novas preocupações entre os motoristas em relação ao funcionamento dos motores. Atualmente, 11% dos veículos que circulam no Brasil não são modelos flex, o que equivale a cerca de 5,5 milhões de automóveis, conforme dados do Sindipeças.
No cenário internacional, o etanol também é utilizado na gasolina como aditivo, porém em porcentagens significativamente menores. Por exemplo, na Europa, o teor de etanol permitido varia entre 5% e 10%, enquanto nos Estados Unidos a adição é de 10% à gasolina.
O Ministério de Minas e Energia declarou que, segundo testes realizados em colaboração com o Instituto Mauá de Tecnologia, o comportamento da gasolina E32 foi considerado “equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, incluindo aqueles com motores não flex”.
“Existe a possibilidade muito forte de ter veículo parado aí na rua com motor 100% quebrado por conta disso. Esse é o tamanho da discussão. Para as nossas associadas, a gente vai ter um trabalho a ser feito com a matriz para regular o motor a esses 32%. A gente foi contra esse movimento. A gente entende os benefícios, mas que precisa de uma previsibilidade para conseguir alinhar com as matrizes… Não é sobre se deve ou não ter. É sobre o tempo de adaptação”, afirmou Marcelo Godoy, presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa).
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) destacou que não foram realizados os estudos técnicos necessários para viabilizar a nova mistura no mercado. Essa posição é compartilhada pela Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis).
“Conforme análises técnicas do setor automotivo, os ensaios que embasaram a aprovação para aumento do etanol anidro em 30% foram realizados com 32% para contemplar uma margem de tolerância. Para aprovar tecnicamente uma elevação para 32%, os testes deveriam elevar o limite da nova margem de tolerância para até 34% de etanol”, declarou a Fecombustíveis em nota.
A Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA) criticou a decisão, argumentando que a gasolina E32 desconsidera as implicações para os proprietários de veículos não bicombustíveis. “Esta aprovação desconsidera completamente as implicações para os proprietários de veículos mais antigos, que não foram projetados para lidar com proporções tão elevadas de etanol na gasolina”, ressaltou a FBVA.
Para representantes da indústria de biocombustíveis, a nova mistura pode resultar em uma redução de 2% nos preços da gasolina ao consumidor. Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), destacou que, com o litro do etanol custando em média R$ 2,40 menos que o litro da gasolina, um aumento de 2% na mistura poderia trazer uma redução equivalente aos consumidores. Contudo, essa economia pode ser compensada por um aumento nos gastos com manutenção e maior consumo de combustível.
“Para veículos mais antigos, principalmente os produzidos antes da popularização dos motores flex e veículos importados que não foram homologados para misturas elevadas de etanol, existe uma maior possibilidade de desgaste acelerado de alguns componentes”, concluiu Gussi.









