O Jeep Compass, em sua segunda geração, mantém sua posição de liderança como o SUV médio mais vendido do Brasil, acumulando nove anos consecutivos nesse status. Contudo, a situação é bem diferente para seus ‘primos’ Dodge Hornet e Alfa Romeo Tonale, que enfrentam um desempenho de vendas decrescente no mercado internacional.
O Dodge Hornet, que foi descontinuado em janeiro, apresenta um estoque praticamente esgotado nos Estados Unidos, com menos de 90 unidades disponíveis nas concessionárias, de acordo com levantamentos recentes. Por sua vez, o Alfa Romeo Tonale, que também compartilha a plataforma com o Compass, deve ser retirado de linha em 2027. Essas variantes, que surgiram como diferentes interpretações do Compass, utilizam a mesma base, a plataforma Small Wide 4×4 LWB, desenvolvida pela antiga Fiat Chrysler e introduzida com a atual geração do Compass em 2017.
Os três modelos compartilham uma extensa lista de componentes. O motor 2.0 turbo a gasolina da família GME-T4, que entrega 272 cv e 40,8 kgfm, é utilizado tanto pelo Hornet GT quanto pelo Compass. Além disso, as versões híbridas plug-in derivam do sistema do Compass 4xe europeu; no Hornet R/T, o motor 1.3 turbo combinado com um motor elétrico traseiro gera 292 cv e 53 kgfm. As semelhanças se estendem ao painel digital, à central Uconnect 5 e a várias peças internas, enquanto as dimensões dos modelos também são parecidas, com o Hornet medindo 4,52 m de comprimento em comparação aos 4,40 m do Compass.
A estratégia de padronização de projetos da Stellantis, que controla 14 marcas, busca diluir os custos de desenvolvimento ao compartilhar a mesma plataforma entre Jeep, Dodge, Alfa Romeo e até a picape Fiat Toro. Essa abordagem, conhecida como badge engineering, visa acelerar os lançamentos de novos modelos. No entanto, a fórmula não se traduziu em vendas satisfatórias fora do Brasil.
O Hornet teve seu auge em 2024, com 20.559 unidades emplacadas nos EUA, mas viu suas vendas despencarem para 9.365 em 2025, uma queda alarmante de 54%. O Tonale também não obteve resultados positivos, com apenas 5.652 unidades vendidas no mesmo mercado em 2025, representando um recuo de 36%. A Dodge justificou a descontinuação do modelo citando ‘mudanças no ambiente político’, que incluem uma tarifa de 25% sobre importações, já que o carro era produzido na Itália.
Em contraste, o desempenho do Compass no Brasil é notável. Em 2025, o modelo emplacou 61.262 unidades, um aumento de 22,4%, e se posicionou entre os dez carros mais vendidos do país. Esse número é quase três vezes superior ao melhor ano do Hornet e mais de dez vezes o volume do Tonale nos Estados Unidos.










