O Mustang voltou a oferecer interação manual no eixo traseiro com o 'Freio Eletrônico para Drift', criado com Vaughn Gittin Jr. e a RTR. Lançado em 2022, junta alavanca física ao controle eletrônico.
Os freios de estacionamento eletrônicos reduziram a complexidade mecânica e ganharam espaço interno, mas eliminaram a alavanca tradicional que permitia modular manualmente as rodas traseiras. No Mustang, a Ford desenvolveu uma solução para preservar essa interação entre motorista e trem traseiro sem abrir mão da arquitetura eletrônica.
Batizado de Freio Eletrônico para Drift, o sistema foi projetado com a participação do piloto Vaughn Gittin Jr. e da RTR Vehicles e foi apresentado em 2022 para a atual geração do Mustang. A proposta combina uma alavanca física com os componentes eletrônicos e hidráulicos que acionam os freios traseiros, oferecendo duas funções distintas conforme o modo de operação selecionado.
No uso cotidiano, a alavanca funciona como um freio de estacionamento elétrico tradicional: um pequeno movimento para cima aciona o sistema e empurrá-la para baixo o libera. Quando o motorista seleciona a função destinada ao drift pelo sistema multimídia, o comportamento da alavanca muda radicalmente: ela deixa de apenas travar o conjunto e passa a controlar de forma progressiva a pressão aplicada aos freios traseiros.
Sensores medem tanto o deslocamento quanto a velocidade com que a alavanca é puxada, e o módulo de controle dos freios interpreta esses comandos para acionar os atuadores do sistema ABS. Dessa forma, uma puxada leve resulta em baixa pressão de frenagem nas rodas traseiras, enquanto um movimento mais vigoroso aumenta a frenagem até a condição de bloqueio controlado das rodas.
Segundo a Ford, a força máxima aplicada pelo sistema no modo drift pode ser quatro a cinco vezes maior do que a de um freio de estacionamento manual convencional. O recurso também acende as luzes de freio durante a operação, reforçando a etapa de sinalização para outros usuários da via.
Embora a alavanca não tenha ligação mecânica direta com os freios, seu peso e resistência foram calibrados para reproduzir a sensação de um freio de mão tradicional, garantindo feedback físico ao condutor. A solução mantém a praticidade e a vantagem de força dos sistemas elétricos, sem sacrificar o controle progressivo que tornou o freio de mão popular entre entusiastas e pilotos.
No contexto do Mustang, essa abordagem permite que técnicas de iniciação de derrapagem — muitas vezes perdidas em veículos modernos — sejam praticadas de forma eletronicamente assistida, mantendo a interação direta entre motorista e sistema de freios traseiros em um carro com arquitetura contemporânea.








