Escândalo nos EUA expõe abusos em contratos de leasing da Nissan. Montadora ressarce consumidores após investigação revelar cobranças absurdas, como R$ 13 mil por fita isolante.
Uma concessionária Nissan em Nova York está envolvida em um polêmico caso que resultou na cobrança indevida de US$ 2.563, equivalente a R$ 12.969, de um cliente por uma simples fita isolante. Esse episódio é um dos mais alarmantes de uma investigação conduzida pelo estado que levou a Nissan Motor Acceptance Company (NMAC), braço financeiro da montadora nos Estados Unidos, a ressarcir consumidores que foram cobrados de forma irregular ao final de contratos de leasing.
A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, fez o anúncio, destacando que a ação já devolveu mais de US$ 4,5 milhões (R$ 22,8 milhões) a aproximadamente 3.100 clientes. A investigação se concentrou no momento em que os clientes optavam por adquirir os veículos ao final do leasing, período em que muitos consumidores se depararam com valores inflacionados e taxas não autorizadas.
De acordo com relatos, diversos clientes enfrentaram situações em que o valor acordado inicialmente para compra do carro foi elevado de forma injustificada. Um caso emblemático envolve um cliente que pagou por um suposto reparo de inspeção de seminovo certificado, que na verdade consistiu apenas em uma lavagem simples do carro. Em outros casos, as concessionárias cobraram mais de US$ 2.500 (R$ 12.650) por serviços de certificação classificados erroneamente como consertos. Além disso, houve quem pagasse até US$ 3.200 (R$ 16.192) por reparos de recall, mesmo com a legislação federal determinando que tais serviços deveriam ser gratuitos.
Os investigadores também identificaram uma tática mais sutil utilizada pelas concessionárias, que consistia em agrupar itens legítimos e sobretaxas ocultas sob uma única linha, descrita apenas como “produtos de pós-venda”, dificultando a identificação das cobranças indevidas. A análise de quase 10 mil contratos de recompra revelou que mais de 3 mil apresentavam cobranças irregulares.
Os clientes que têm direito ao ressarcimento não precisarão solicitar o reembolso, uma vez que a NMAC está realizando auditorias em todas as concessionárias do estado e fará os pagamentos ao longo de 2026, incluindo juros para aqueles que financiaram valores inflacionados.





