Uma visita à fábrica revelou que cada Pagani usa cerca de 2.000 parafusos de titânio, cada um custando £60 (≈R$415). No total, as peças de fixação chegam a mais de £120 mil, impulsionando o preço final.
Os hipercarros da Pagani, marca italiana de prestígio, são conhecidos por seus preços exorbitantes, que podem ultrapassar milhões de euros. Um dos fatores que contribui para esse custo elevado é um item que, à primeira vista, pode parecer insignificante: os parafusos. Cada veículo da marca utiliza cerca de 2.000 peças de fixação fabricadas em titânio, com um custo estimado de £ 60 por unidade, ou aproximadamente R$ 415.
Quando multiplicados, esses valores saltam para mais de £ 120 mil, o que equivale a cerca de R$ 830 mil. Essa informação foi obtida durante uma visita à fábrica da Pagani, em San Cesario sul Panaro, realizada pelo canal Carwow e apresentada por Mat Watson. Contudo, é importante destacar que o vídeo não esclarece se os £ 60 referem-se ao custo de produção, ao preço de reposição ou a uma média estimada. Assim, o total apresentado é resultado de uma multiplicação simples e não um dado oficial da Pagani.
Essa conta gerou uma comparação recorrente na imprensa internacional, sugerindo que apenas os parafusos de um Pagani custam mais que um Porsche 911 zero-quilômetro. Essa analogia é válida nos Estados Unidos, onde o 911 Carrera tem um preço inicial de US$ 135,5 mil. No entanto, no Brasil, a situação é diferente: segundo a tabela Fipe, o 911 do ano de 2026 começa em cerca de R$ 1,04 milhão, o que é mais de R$ 200 mil acima do valor estimado para os parafusos de um Pagani.
Outro detalhe que encarece esses parafusos é o processo de gravação. Cada peça recebe o logotipo da Pagani gravado a laser com uma profundidade de apenas dois mícrons, ou 0,002 mm, que é cerca de 35 vezes menor que a espessura de um fio de cabelo humano. O vídeo do Carwow também mostra a ferramenta utilizada para essa gravação, evidenciando o cuidado e a atenção aos detalhes.
Além disso, peças que não são visíveis para os proprietários passam por tratamentos rigorosos. Por exemplo, a vareta de óleo é usinada em titânio e anodizada, passando por um rigoroso processo de instalação para garantir o alinhamento perfeito do logotipo. O volante, por sua vez, inicia como um bloco de alumínio de 43 kg e, após um processo de usinagem, pesa apenas 1,7 kg, resultando em uma perda de mais de 95% do material original. Um artesão de 80 anos dedica cerca de oito horas ao polimento manual deste componente, que é tratado com o mesmo cuidado que peças mais visíveis.
Os componentes internos, como rolamentos de roda e braços de suspensão, também são fabricados com um acabamento que se assemelha mais a uma escultura do que a uma peça mecânica. Essa abordagem meticulosa, aplicada a cada item do veículo, é essencial para justificar o preço elevado dos hipercarros da Pagani, que podem alcançar valores superiores a € 3,1 milhões antes de impostos e opções adicionais.





