A Porsche terá, pela primeira vez, um superesportivo fixo no catálogo, posicionado acima do 911. O plano foi revelado com o Mission S, protótipo que foi apresentado nessa quinta-feira (15), em Nova York, e que também antecipa a nova linguagem de design e soluções tecnológicas que a marca pretende adotar nos próximos modelos.
Historicamente, os superesportivos da marca — entre eles o 959, o Carrera GT e o 918 Spyder — foram lançamentos em séries limitadas. O último deles, o 918, saiu de linha em 2015 com 918 unidades produzidas. Diferentemente desses exemplares pontuais, o Mission S não foi pensado como um hipercarro exclusivo, mas como uma plataforma de motor central que vai ampliar o catálogo de forma permanente, conforme explicou Michael Leiters, presidente da Porsche desde janeiro e ex-diretor técnico da Ferrari.
A fabricante ainda não detalhou o sistema de propulsão que equipará o modelo de produção. A informação disponível indica que a marca desenvolve um motor boxer de oito cilindros para o futuro topo de linha, projeto que tem sido apontado como uma possibilidade para equipar a nova plataforma de motor central.
A estreia mundial do protótipo ocorreu em um píer no Queens, em Nova York, o mesmo local onde foram registradas as primeiras imagens do 550 Spyder, em 1953, reforçando o tom histórico do lançamento. O design do Mission S é uma colagem de referências aos clássicos da marca: faróis redondos e para-lamas com formato de torpedo remetem ao 911; as junções das portas que se integram às luzes citam o 911 da série G; a dianteira plana e a concepção de traseira no formato de “carro dentro do carro” trazem influência do 911 GT1; e a linha do teto lembra o 959.
As rodas reinterpretam o desenho de disco de telefone do 928, com ênfase em leveza, e uma ventoinha aparente na metade da carroceria remete à ventoinha do radiador do 917, modelo que garantiu à Porsche a primeira vitória geral nas 24 Horas de Le Mans, em 1970.
No interior, o Mission S inverte a moda das telas centrais fixas: o protótipo dispensa a tela central e o display do passageiro e adota um suporte retrátil para celular compatível com MagSafe, que permite utilizar o aparelho para navegação e informações. Atrás do volante ficam cinco instrumentos circulares, seguindo a tradição do 911. Dependendo do modo de condução, o conta-giros central — com ponteiro analógico e tela — se aproxima do motorista, enquanto os demais mostradores se reorganizam lado a lado ou em linha.
O pacote de detalhes inclui fivela do cinto integrada ao console central, comandos físicos de empurrar e puxar, uma nova versão do cronômetro Sport Chrono e a chave desenhada para o carro encaixada à esquerda do volante, conforme a tradição da marca. A cabine combina branco, cinza e vermelho, as cores dos carros de competição da Porsche.
Segundo Tobias Sühlmann, chefe de design da Porsche, essas soluções serão levadas em breve aos próximos modelos da marca, sinalizando a transposição de elementos do protótipo para a linha de produção.









