A Volkswagen conseguiu encerrar o ano de 2025 com um resultado positivo, mas a empresa enfrentou uma significativa queda em seus lucros. Este desempenho reacendeu o debate sobre o futuro da maior fabricante de automóveis da Europa e levou economistas a considerarem a possibilidade de que a empresa possa, em um futuro próximo, ser adquirida por uma fabricante chinesa, caso a indústria automotiva alemã não consiga reverter sua perda de competitividade.
A avaliação foi feita durante uma entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung pelos economistas Niall Ferguson e Moritz Schularick. Ambos concordaram que os desafios enfrentados pela Volkswagen são um reflexo de um problema estrutural que atinge toda a economia europeia, especialmente diante do avanço da indústria automobilística da China e dos Estados Unidos.
Schularick afirmou que, embora a possibilidade de uma falência da fabricante não possa ser descartada, ele acredita que a Volkswagen poderia acabar sendo comprada por uma montadora chinesa, mencionando a BYD como uma das possíveis interessadas. Ele, no entanto, ressalta que esse cenário não é iminente.
Ferguson, por sua vez, destacou que a Alemanha subestimou por anos a capacidade da China de desenvolver uma indústria automobilística competitiva. Segundo ele, os incentivos estatais permitiram que as montadoras chinesas reduzissem preços e conquistassem mercado, criando uma concorrência difícil para as fabricantes tradicionais.
Em vez de defender novas tarifas, Schularick sugeriu que as marcas chinesas possam vender carros na Europa, desde que produzam localmente. Essa medida, segundo ele, preservaria empregos, reduziria a vantagem de custos e estimularia uma competição baseada em tecnologia, qualidade e eficiência.
Ferguson complementou que essa estratégia deve ser acompanhada de investimentos em inteligência artificial e infraestrutura tecnológica. Ele alertou que a Europa corre o risco de ficar em uma posição desfavorável entre os Estados Unidos e a China, caso não desenvolva sua autonomia neste setor.
Os economistas também ressaltaram que a indústria automobilística chinesa enfrenta seus próprios desafios, como o excesso de produção e uma forte dependência de subsídios. Apesar disso, eles argumentam que esses problemas não devem servir de alívio para a Alemanha, mas sim como um incentivo para acelerar sua transformação e recuperar sua competitividade.








