Paris, 10 de março de 2026 – A Renault apresentou nesta terça-feira (10) o plano estratégico futuREady, que prevê vender 2 milhões de veículos por ano até 2030, sendo metade desse volume fora da Europa. A marca francesa também estabeleceu a meta de tornar 100% das suas vendas na Europa compostas por modelos elétricos ou híbridos e garantir que 50% das unidades comercializadas nos demais mercados sejam eletrificadas.
Metas de eletrificação e rentabilidade
Segundo o diretor-executivo Fabrice Cambolive, o objetivo é combinar a expansão internacional com “rentabilidade forte e sustentável”. O executivo destacou que o avanço das fabricantes chinesas, como BYD e o grupo Chery, além da pressão de conglomerados tradicionais, entre eles a Stellantis (Fiat e Jeep), obriga a Renault a acelerar a oferta de veículos eletrificados e a diversificar geografias de venda.
Situação no Brasil
O Brasil ilustra o desafio. A participação da Renault no mercado nacional caiu de 9% dos emplacamentos de zero-quilômetro em 2019 para 5,1% em 2024, redução de 43% no período. Para reagir, a marca iniciou a eletrificação local com o Renault Koleos, primeiro híbrido da empresa no país. Equipado com 245 cavalos de potência, o SUV foi lançado para disputar espaço com modelos de marcas chinesas previamente estabelecidas, como BYD e GWM.
Calendário de lançamentos
Dentro do futuREady, a montadora planeja introduzir 36 veículos em cinco anos, dos quais 14 serão reservados a regiões fora da Europa – número que supera os oito lançamentos internacionais do ciclo anterior. Quatro desses modelos terão como destino inicial a Índia, mercado considerado prioritário por Cambolive.
Entre as novidades, o Bridger, um SUV compacto, começará a ser produzido no ano que vem, com lançamento em outros países na sequência.
Foco internacional após fase de retração
O reforço fora do continente europeu marca uma virada em relação ao período comandado por Luca de Meo, quando a Renault abandonou diversos mercados para conter prejuízos na estratégia chamada “Renaulution”. Na apresentação realizada no centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa, nos arredores de Paris, o atual presidente-executivo François Provost afirmou: “Com a Renaulution, provamos que podemos vencer; agora precisamos provar que podemos durar”.
Analistas observam que o cenário competitivo ficou mais acirrado. A redução de incentivos a veículos elétricos nos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump levou concorrentes a rever projetos e registrar perdas financeiras. Para Michael Foundoukidis, analista da Oddo BHF, a iniciativa da Renault de priorizar modelos de maior margem e ampliar a presença global “oferece um caminho mais claro para preservar a lucratividade”, mas o êxito dependerá da execução.
Com a nova estratégia, a montadora pretende equilibrar a pressão crescente de preços, acelerar a eletrificação e reconquistar participação em mercados estratégicos, mantendo a meta de dois milhões de veículos vendidos até o fim da década.
Com informações de G1





