A busca por eficiência extrema no setor aeroespacial e industrial está se deslocando do tradicional para o universo da física quântica. A Rolls-Royce anunciou uma colaboração com a Quantinuum, a Riverlane e o EPCC — o Centro Nacional de Supercomputação do Reino Unido, localizado na Universidade de Edimburgo — com o objetivo de explorar como a computação quântica tolerante a falhas pode revolucionar o design de componentes complexos, especialmente as turbinas a gás.
Um dos maiores desafios da engenharia moderna é a simulação do comportamento dos fluidos dentro de uma turbina. À medida que os modelos se tornam mais detalhados, a demanda por capacidade de processamento aumenta, sobrecarregando até mesmo os supercomputadores mais avançados disponíveis atualmente. A iniciativa da Rolls-Royce e seus parceiros visa superar esse obstáculo ao integrar computadores quânticos com máquinas clássicas, criando uma nova abordagem para resolver problemas complexos.
Cada organização envolvida traz uma contribuição única para esse projeto colaborativo. A Quantinuum disponibiliza acesso a seus sistemas quânticos e ao ambiente de software necessário; a Rolls-Royce aporta seus casos de uso industriais e expertise técnica; a Riverlane foca na correção de erros quânticos, um passo fundamental para garantir resultados precisos em larga escala; enquanto o EPCC é responsável pela integração entre as tecnologias clássica e quântica, além de oferecer sua experiência em supercomputação.
Na prática, o grupo planeja realizar testes com blocos de cálculo fundamentais utilizando o computador quântico Helios, da Quantinuum, que é considerado o processador quântico comercial mais preciso do mundo. O objetivo é avaliar como esses algoritmos podem ser escalados em sistemas futuros, já denominados Sol e Apollo. Este projeto não começa do zero; Rolls-Royce, Riverlane e EPCC têm trabalhado em algoritmos híbridos nos últimos cinco anos, utilizando emuladores clássicos. A parceria com a Quantinuum representa uma transição significativa desses experimentos, que até então eram limitados à simulação, para o uso de hardware quântico real.
Com isso, a expectativa é desenvolver algoritmos híbridos que possibilitem simulações que atualmente são inviáveis do ponto de vista computacional. O horizonte dessa iniciativa é a chamada era “teraQuOp”, uma meta britânica que visa máquinas capazes de executar um trilhão de operações sem erros. “O desenvolvimento de aplicações leva vários anos e, se quisermos aproveitar os dispositivos teraQuOp, precisamos começar agora”, comentou Leigh Lapworth, Fellow em Ciência Computacional da Rolls-Royce.





