Com a temporada de queimadas, fumaça e cinzas danificam filtros, pintura e sistemas elétricos. Verifique sua apólice, fotografe os danos e comunique a seguradora o quanto antes para registrar sinistro.
A temporada de queimadas traz riscos não apenas para a saúde pública, mas também para a integridade dos veículos estacionados nas ruas. A fumaça intensa e as cinzas resultantes das queimadas podem prejudicar diversos componentes dos automóveis, desde filtros até a pintura.
De acordo com um informe do Ministério da Saúde, publicado em 21 de julho, 15 estados estão sob monitoramento devido aos focos de calor e à exposição da população à fumaça. Dentre eles, Tocantins, Mato Grosso e Bahia estão no topo da lista. A previsão é de que, até setembro, as chuvas fiquem abaixo da média no Centro-Norte e as temperaturas permaneçam elevadas em grande parte do Brasil.
Assim como o corpo humano, que precisa de ar limpo para funcionar adequadamente, o motor de um automóvel a combustão também depende de um ambiente livre de poluentes. A presença de material particulado no ar causa o entupimento mais rápido dos filtros de ar do motor e do filtro de cabine, comprometendo o desempenho mecânico e a eficiência do ar-condicionado.
Quando próximo a focos de incêndio, a situação se agrava, pois o volume de detritos em suspensão pode causar superaquecimento nos sensores, acendendo a luz de anomalia do motor, popularmente conhecida como ‘check engine’.
Os cuidados com a carroceria também são essenciais. As cinzas são abrasivas e podem conter compostos ácidos, que prejudicam o verniz do veículo. A remoção das cinzas a seco, utilizando flanelas, pode resultar em micro-riscos e marcas circulares conhecidas como ‘teias de aranha’. O procedimento correto é lavar o carro com água em abundância antes de qualquer contato para garantir a remoção eficiente dos resíduos.
No que diz respeito à cobertura do seguro automotivo, nos Estados Unidos, apólices básicas de responsabilidade civil e colisão não incluem danos por fogo ou fuligem. No Brasil, a cobertura básica do seguro de automóvel inclui incêndio, roubo e furto, enquanto a compreensiva agrega colisão e fenômenos naturais. Corretores afirmam que veículos danificados por queimadas estão cobertos, desde que o segurado não tenha agravado o risco.
É importante ressaltar que se o custo do reparo exceder 75% do valor de mercado do veículo, o caso será considerado perda total, com indenização baseada na Tabela Fipe. No entanto, danos que não envolvem fogo, como a troca de filtros e a higienização interna, são considerados manutenção e devem ser custeados pelo proprietário.
Com a qualidade do ar em deterioração, recomenda-se a verificação frequente dos filtros, a antecipação da troca em períodos críticos, e o uso da recirculação do ar-condicionado em situações de baixa qualidade do ar. Na estrada, é fundamental estar atento, pois a fumaça pode reduzir a visibilidade e aumentar o risco de colisões nas proximidades dos focos de incêndio.





