A Toyota enfrenta um processo judicial nos Estados Unidos, movido pela startup Mobility for Africa (MFA), que a acusa de apropriação indevida de tecnologia e cópia de seu triciclo elétrico. A ação foi protocolada em maio em um tribunal da Califórnia e foca na Toyota Mobility Foundation (TMF), a divisão filantrópica da montadora, assim como na consultoria EXA Innovation Studio. As alegações incluem apropriação indevida de segredos comerciais, quebra de contrato e fraude.
No centro da controvérsia está o Hamba, um triciclo elétrico de carga desenvolvido pela MFA, que tem como objetivo atender pequenas agricultoras em áreas rurais do Zimbábue. O veículo é capaz de transportar até 400 kg, alcançando uma autonomia de cerca de 96 km por recarga, e utiliza baterias intercambiáveis que são reabastecidas em estações alimentadas por energia solar.
A MFA, fundada em 2018 por Shantha Bloemen, uma veterana de 21 anos da Unicef, já conquistou diversos prêmios internacionais relacionados à inovação e acesso à energia. Desde 2019, a startup colocou aproximadamente 600 unidades do Hamba nas estradas de terra do Zimbábue, com mulheres representando até 70% de sua base de clientes.
“A parceria foi um ‘cavalo de Troia’”, declarou Bloemen. Segundo a fundadora, após um investimento inicial de cerca de R$ 1,97 milhão (380 mil dólares) em 2019, a Toyota utilizou o acesso concedido para coletar dados operacionais, projetos técnicos e modelos de negócio da startup, os quais deveriam permanecer protegidos por contrato.
Em 2022, a TMF lançou um projeto-piloto no Quênia, apresentado como uma colaboração com a MFA. No entanto, Bloemen afirma ter descoberto que a tecnologia desenvolvida foi transferida para a EXA, que ajudou a criar a Songa Mobility, uma empresa que oferece soluções “virtualmente idênticas”, incluindo triciclos, hubs de carregamento solar e serviços de troca de baterias, competindo pelo mesmo financiamento internacional que a MFA.
“Em vez de investir nos empreendedores africanos que a criaram, eles escolheram copiar, replicar e controlar o que construímos”, afirmou Bloemen, que agora busca indenização e uma ordem judicial para impedir o uso de sua propriedade intelectual.
Esse episódio surge em um momento em que a Toyota enfrenta críticas por sua lentidão em relação à eletrificação, especialmente quando comparada a outras montadoras concorrentes. A Toyota Mobility Foundation, ao ser contatada, declarou estar ciente do processo e em fase de apuração, mas ainda não apresentou uma resposta formal à Justiça, e as acusações permanecem sem comprovação.





