Direção de design da Volkswagen abandona linhas agressivas: grades enormes e faróis estreitos serão suavizados. O grupo aposta em frentes e interiores mais convidativos; executivo chamou o visual anterior de 'absurda'.
A Volkswagen quer mudar a direção do design de seus carros, afastando-se da estética agressiva marcada por grades enormes, faróis estreitos e dianteiras imponentes. A iniciativa parte da cúpula de design do grupo e prevê uma linguagem mais amigável e convidativa, tanto no exterior quanto no interior dos modelos.
Em entrevista, o executivo classificou a abordagem atual de adoção deliberada de visuais ameaçadores como uma solução equivocada e disse que algumas marcas chegam a apostar nessa imagem para obter vantagem no trânsito.
“absurda”
O designer questionou a lógica por trás desse caminho estético e defendeu uma alternativa menos confrontativa para os carros. Em suas declarações, ele propôs um redesenho cultural do automóvel, ressaltando que não enxerga vantagem em transformar o produto em um símbolo de confronto entre motoristas.
“Por que não dar aos carros uma aparência amigável?”
O posicionamento também incluiu críticas ao excesso de agressividade nos traços dos veículos. Segundo o executivo, o resultado atual pode transmitir uma imagem hostil nas ruas:
“parecem ter sido projetados para matar zumbis”
A preocupação, segundo ele, não é apenas estética: o design pode reforçar divisões sociais e percepções durante a transição para a mobilidade elétrica na Europa. Na visão apresentada, tornar a escolha por carros elétricos algo visualmente hostil pode transformar a adoção em uma disputa moral contra quem ainda opta por modelos a combustão.
Essa nova postura será aplicada à família ID de elétricos. Os primeiros ID foram concebidos para parecer futuristas e evidenciar a ruptura com o passado de combustão, mas a direção de design reconhece que a estratégia acabou exagerando. O executivo chegou a afirmar que o antigo ID.3 “não parece um VW de verdade” por não incorporar elementos suficientes da identidade visual da marca.
“não parece um VW de verdade”
Como resposta, a empresa anunciou correções de rota no desenho: o ID.3 Neo terá linhas mais convencionais e um retorno a sinais visuais da marca; o inédito ID. Polo seguirá a mesma direção. Além do exterior, a mudança alcança o interior: novos modelos reintroduzirão mais controles físicos, atendendo a reclamações de clientes sobre interfaces sensíveis ao toque da geração anterior.
O chefe de design do grupo assumiu o comando das áreas de design em 1º de março e continuará à frente do design na marca principal. A expectativa é que o sucessor do ID.4, cotado para chegar como ID. Tiguan, seja um dos primeiros a incorporar essa linguagem mais amigável. Ainda assim, a estratégia prevê manter estilos mais dramáticos onde fazem sentido para a identidade de cada marca — com Lamborghini e Cupra citadas como exemplos em que a estética agressiva permanece apropriada.









