Volkswagen Tera se destaca em vendas e apresenta pontos fortes em uso urbano
Lançado em meados de 2025, o Volkswagen Tera já figura entre os destaques de vendas no Brasil. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o SUV compacto superou modelos como Jeep Renegade, Fiat Pulse e Renault Kardian e, no primeiro trimestre de 2026, registrou mais de 18 mil emplacamentos, alcançando o segundo lugar entre os SUVs mais vendidos do país.
Com preços iniciais em R$ 107,2 mil, o Tera foi o primeiro veículo totalmente novo da Volkswagen desde o Nivus, lançado em 2020. O g1 passou uma semana com o modelo, avaliando seu desempenho em ambiente urbano e em uma viagem de cerca de 120 km, e levantou pontos positivos e limitações do carro.
No visual, o Tera traz mudanças que o aproximam de uma identidade própria dentro da gama da marca. A dianteira, com luzes diurnas em LED de desenho exclusivo, facilita a diferenciação em relação a modelos como Polo, Nivus e T-Cross. Internamente, a Volkswagen adotou plásticos com texturas distintas em diferentes áreas da cabine, estratégia semelhante à empregada pela Fiat em carros como Argo e Pulse, o que confere contraste ao acabamento, embora o toque não chegue ao nível de modelos chineses mais elogiados nesse aspecto.
A central multimídia presa ao console chama atenção por sua semelhança estética com um tablet. O sistema permite instalar aplicativos sem pareamento com celular, incluindo Spotify, Waze, PlayKids, SemParar, Estapar e iFood. O Tera traz ainda uma assistente chamada Otto, capaz de explicar trechos do manual, sugerir rotas, informar manutenção e previsão do tempo; o recurso é oferecido mediante assinatura de R$ 59,90 por mês.
Entre os pontos criticados na cabine estão o freio de mão manual, presente em todas as versões, e um apoio de braço do motorista pequeno e fixado ao assento, que evidencia a ausência de um compartimento central entre os bancos nas versões avaliadas.
No conjunto mecânico, o Tera utiliza o motor 1.0 turbo do Polo. Com peso e dimensões próximas às do hatch, a sensação ao volante é similar à do Polo: suspensão acertada, direção bem calibrada e boa ergonomia de condução, o que torna o carro agradável no trânsito urbano de São Paulo, onde velocidades raramente ultrapassam 60 km/h. O porta-malas dispõe de 350 litros, volume alinhado à média do segmento (Fiat Pulse: 370 L; Renault Kardian: 358 L; Citroën Basalt: 490 L; Jeep Renegade: 320 L).
Na estrada, porém, o Tera mostra uma limitação: há um atraso perceptível entre o acelerador totalmente pressionado e a resposta do veículo — em torno de três segundos em algumas situações. Em manobras de ultrapassagem em trechos mais rápidos, foi necessário antecipar a ação para garantir segurança. O g1 apurou com fabricantes que esse comportamento está relacionado às medidas do Proconve L8, em vigor desde 1º de janeiro de 2025, voltadas à redução de emissões.
Em termos de posicionamento de mercado, a versão topo de linha, Tera Highline, custa R$ 146.190. Por valores próximos ou inferiores é possível encontrar outros modelos, como Chevrolet Spark (a partir de R$ 144.990), BYD Dolphin (a partir de R$ 149.990), Geely EX2 (a partir de R$ 123.800), GAC GS3 (a partir de R$ 129.990) e Caoa Chery Tiggo 5X Sport (a partir de R$ 124.990). Apesar de concorrentes oferecerem acabamento e lista de equipamentos atrativos — muitos já em versões elétricas —, o Tera mantém vantagens ligadas à presença da marca no país e à rede de pós-venda estabelecida.
Após uma semana de uso, o Tera mostra evolução no acabamento e bom comportamento em cidade, mas perde pontos em elasticidade do motor em velocidades mais altas, quesito que limita seu desempenho em viagens.
Com informações de G1





