O Volkswagen Jetta pode estar próximo de sua aposentadoria. O sedã médio figura em uma lista de aproximadamente dez modelos que o Grupo Volkswagen pode descontinuar até 2030, conforme informações veiculadas pelo jornal alemão Bild. Essa decisão faz parte de um plano oficial da montadora para reduzir seu portfólio em até 50% até o final da década e concentrar os investimentos em produtos que apresentem maior rentabilidade.
A reestruturação programada pela Volkswagen prevê a eliminação de até 100 mil postos de trabalho e uma drástica redução na capacidade de produção anual, que cairá de cerca de 10 milhões para 9 milhões de veículos. Embora o grupo tenha sido questionado sobre quais modelos serão descontinuados, a montadora limitou-se a afirmar que não comenta especulações sobre o ciclo de vida de seus produtos.
Segundo o Bild, a relação de modelos a serem descontinuados é preliminar e poderia resultar em uma economia de até 6,5 bilhões de euros até 2031. A possível saída do Jetta do mercado está diretamente relacionada ao encolhimento do segmento de sedãs médios, que tem perdido espaço para os SUVs nos últimos anos. Um exemplo claro desse movimento é o Passat, que já foi retirado de linha nos Estados Unidos.
Os números de vendas refletem essa mudança de preferência dos consumidores. No segundo trimestre, a Volkswagen comercializou 15.949 unidades do Jetta no mercado americano, enquanto seus concorrentes diretos, o Honda Civic e o Toyota Corolla, venderam mais de 130 mil unidades cada um apenas no primeiro semestre. Ao contrário da Volkswagen, tanto a Honda quanto a Toyota já confirmaram novas gerações para seus sedãs.
A lista de modelos que pode ser descontinuada também inclui o Taos, um SUV médio que não deve ganhar sucessor devido à baixa demanda, com vendas caindo 43,9% no segundo trimestre nos Estados Unidos. Além disso, outras marcas do grupo Volkswagen também estão sob revisão. A Porsche, por exemplo, pode não ter novas gerações para o Taycan, veículo elétrico, e o Cayenne Coupé a combustão. A esperada volta do 718 — Boxster e Cayman — com motor a gasolina, que havia sido confirmada há menos de um ano, também está ameaçada.
A Audi já havia sinalizado o fim dos compactos A1 e Q2, e agora os SUVs cupê Q5 Sportback e Q6 e-tron Sportback aparecem, de forma extraoficial, entre os modelos que podem não ter substitutos. A Porsche deve apresentar detalhes sobre sua nova estratégia, denominada Estratégia 2035, em um evento agendado para o dia 7 de outubro. Até lá, as decisões ainda estão no campo das especulações, mas a lógica do grupo é clara: em um portfólio que deve encolher pela metade, a rentabilidade passou a ser um fator decisivo, superando a mera venda de veículos.







