O VW Tera 2027 foi anunciado durante o Rock in Rio e traz uma atualização relevante além da adoção do motor 200 TSI nas variantes de topo: a chegada de um câmbio automático de oito marchas. O novo conjunto equipa as versões Comfort e High e coloca no SUV uma transmissão inédita na sua gama para 2027.
O motor permanece sendo o 1.0 turbo de três cilindros da família EA211, produzido em São Carlos (SP), mas na calibração 200 TSI, com 128 cv e 20,4 kgf.m. Essa configuração substitui a calibração 170 TSI de 116 cv e 16,8 kgf.m, que passa a ser exclusiva do Tera TSI com câmbio manual. A linha Tera MPI segue com o 1.0 aspirado de 84 cv.
O câmbio adotado é o Aisin AQ300, o mesmo utilizado pela marca no Taos e que estreou no T-Cross 2027. Oito marchas chegam ao Comfort e ao High em outubro, quando a linha 2027 também passa a ser ofertada nas lojas.
Técnicamente, mais marchas ampliam o leque de relações entre primeira e última. Cada marcha representa uma relação de engrenagens que multiplica o torque antes de chegar às rodas: marchas curtas privilegiam força de arrancada; marchas longas reduzem consumo e giro em velocidade constante. Com seis relações, o projeto precisa escolher entre degraus mais espaçados — que elevam a variação de rotação entre trocas — ou um leque final mais curto. Com oito relações é possível encurtar os degraus e, ao mesmo tempo, ter uma primeira mais curta e uma oitava mais longa, traduzindo-se em trocas menos perceptíveis, mais tempo do motor na faixa ideal de torque e menor ruído em cruzeiro.
O ganho é especialmente relevante em motores como o 1.0 turbo tricilíndrico, que concentram torque em uma janela de rotação estreita. Quanto mais precisa for a seleção da marcha, mais tempo o motor opera nessa janela.
Tomando a versão Sense do T-Cross 2027 como referência, a fabricante informou redução de consumo urbano de até 7% com gasolina e de 5% com etanol, além de queda no índice de eficiência energética de 1,64 MJ/km para 1,56 MJ/km. A aceleração de 0 a 100 km/h também melhorou: 10 segundos com etanol e 10,4 segundos com gasolina, contra 10,4 e 10,9 segundos do conjunto com seis marchas. São números de outro carro, com peso, aerodinâmica e relação final próprios, que servem apenas como ordem de grandeza do que a caixa pode entregar.
Há, porém, limites na equação: cada relação adicional acrescenta componentes — engrenagens, embreagens e comandos — com impacto em peso, complexidade e atrito interno. Além disso, calibração e lógica de trocas fazem diferença; caixas com muitas relações exigem estratégias bem resolvidas para evitar comportamento indeciso em trânsito ou subidas. É por isso que alguns modelos seguem com CVT ou mantêm a transmissão de seis marchas: o Nivus, apesar de usar o mesmo motor 200 TSI, continua com caixa de seis marchas.
A Volkswagen ainda não divulgou preços nem dados de consumo específicos para o Tera com o novo câmbio. Hoje, o Comfort custa R$ 133.190 e o High, R$ 146.190, valores que correspondem à oferta vigente com o conjunto de 116 cv e seis marchas. A linha 2027 chega às lojas em outubro, e a definição de quanto as duas marchas a mais, os 12 cv adicionais e a eventual economia de consumo vão custar ao comprador permanece em aberto.







