A Mercedes-Benz está em meio a um processo de reestruturação na Alemanha que pode impactar cerca de 90 mil funcionários. A montadora está considerando um pacote de medidas que inclui o adiamento de um bônus salarial e a ampliação da jornada de trabalho de 35 para 40 horas semanais, sem aumento de remuneração.
Segundo informações da publicação Automobilwoche, a empresa decidiu postergar para 2027 o pagamento de um bônus que estava previsto para julho deste ano. Este bônus, que representa 18% da remuneração mensal dos trabalhadores e é parte de um acordo coletivo, foi uma decisão tomada sem consulta prévia aos representantes sindicais. Assim, os funcionários terão que aguardar mais um ano para receber um pagamento que esperavam para o próximo mês.
Além do adiamento do bônus, a montadora também está avaliando a possibilidade de aumentar a carga horária semanal de 35 para 40 horas, o que resultaria em aproximadamente 260 horas extras por ano para cada empregado, sem qualquer compensação financeira adicional. Essa combinação de medidas, adiamento do bônus e aumento da jornada de trabalho, gerou descontentamento entre os trabalhadores.
A proposta provocou uma rápida reação do sindicato. Ergun Lümali, presidente do Conselho de Trabalhadores da Mercedes, afirmou que as medidas não constituem “um conceito convincente para o futuro”. Lümali contestou a ideia de que a empresa poderia se tornar mais competitiva forçando os funcionários a trabalharem mais sem remuneração, defendendo que o foco deve ser em inovação, produtos atrativos e mão de obra qualificada.
Essa movimentação da Mercedes não é um caso isolado. Assim como a Volkswagen, que também está adotando medidas para reduzir custos e recuperar competitividade, a Mercedes enfrenta uma forte pressão nesse momento. O aperto financeiro se estende pela indústria automobilística alemã, que lida com tarifas comerciais elevadas, uma demanda por veículos elétricos abaixo do esperado e a desaceleração do mercado chinês, considerado um mercado chave para a marca, onde os concorrentes locais têm avançado rapidamente.
Até o presente momento, a Mercedes não confirmou oficialmente se as mudanças são definitivas ou se ainda estão em negociação com os representantes dos trabalhadores. A situação ganhou destaque na imprensa alemã, revelando a magnitude dos ajustes que as montadoras do país estão tentando implementar para conter custos.
Os números financeiros também explicam essa necessidade de ajustes. Em 2025, o lucro ajustado antes de juros e impostos da divisão de carros da Mercedes-Benz caiu para cerca de R$ 28,3 bilhões (4,8 bilhões de euros), em comparação com 8,7 bilhões de euros (aproximadamente R$ 51,3 bilhões) no ano anterior. O lucro total do grupo recuou para R$ 48,4 bilhões (8,2 bilhões de euros), de 13,7 bilhões de euros (cerca de R$ 80,8 bilhões) no mesmo período.





