A NEA registrou 1.286 GW fotovoltaicos contra 1.285 GW do carvão no fim de julho. A solar já responde por 31,5% da capacidade, com 704 GW em usinas e 582 GW distribuídos.
04/09/2026 — A capacidade instalada de energia solar na China superou a das usinas a carvão pela primeira vez na história, marcando uma mudança expressiva na composição da matriz elétrica do país. A Administração Nacional de Energia (NEA) registrou 1.286 GW de potência fotovoltaica no fim de julho, ante 1.285 GW das térmicas a carvão. Com isso, a solar passou a responder por 31,5% de toda a capacidade de geração em potência nominal.
Do total fotovoltaico, 704 GW estavam concentrados em usinas centralizadas e 582 GW em geração distribuída — sistemas menores instalados junto aos pontos de consumo. Em termos de escala, a capacidade solar chinesa ficou próxima de ser cinco vezes maior que todo o parque gerador brasileiro, que soma aproximadamente 260 GW considerando também a geração distribuída, segundo dados apontados no levantamento.
É importante distinguir capacidade instalada e produção efetiva: o marco não significa que a solar já produza mais eletricidade que o carvão. A capacidade instalada representa o potencial máximo em condições ideais; a geração real depende de quantas horas as plantas conseguem operar. A energia solar é limitada pela disponibilidade diurna e pelas condições climáticas, enquanto as térmicas a carvão operam por períodos mais longos e com previsibilidade maior.
No primeiro semestre de 2026, o carvão gerou cerca de 2,5 trilhões de kWh, equivalendo a 49,7% da eletricidade chinesa — a primeira vez que a fonte ficou abaixo de 50% em um semestre. As renováveis responderam por 41,2% da geração total, com solar e eólica somando 24,6%, ou mais de 1,2 trilhão de kWh. Entre janeiro e julho, a geração solar cresceu 15,5% e alcançou 802,4 bilhões de kWh, o que representou cerca de um em cada oito quilowatts-hora produzidos no país.
A comparação com o Brasil evidencia pontos de partida distintos. O país iniciou 2026 com 215,9 GW de potência instalada em usinas centralizadas, das quais 84,63% provinham de fontes renováveis, segundo o SIGA da Aneel. O carvão mineral representava 1,4% da matriz elétrica brasileira. A liderança no Brasil seguia com a hidreletricidade, com 42,4%, enquanto a solar era a segunda fonte, com 24,5% e 63,7 GW instalados, números que indicam participação percentual próxima da chinesa, porém em escala muito menor.
No ritmo de expansão, a China adicionou 85,65 GW de capacidade solar nos sete primeiros meses de 2026 — mais do que todo o parque fotovoltaico instalado no Brasil até então. Mesmo após alteração nas regras de remuneração que expôs novos projetos às condições de mercado, o país continuou a registrar grande acréscimo de capacidade, embora a adição no primeiro semestre tenha sido de 72,1 GW, queda de 66% em relação ao mesmo período de 2025, segundo reportagens da imprensa chinesa.
O avanço da capacidade ocorreu em paralelo ao aumento da demanda: o consumo de eletricidade cresceu 5,3% no semestre, para quase 5,1 trilhões de kWh, puxado pela indústria de alta tecnologia e pela recarga de veículos elétricos. Ainda assim, a rede chinesa mantinha dependência significativa do carvão, com quase metade da eletricidade proveniente dessa fonte.





