A desaceleração do mercado de veículos eletrificados na China tem levado as montadoras do país a intensificarem suas operações no exterior. Apesar de continuar sendo o maior mercado mundial de carros elétricos, a China enfrenta uma queda nas vendas, que estão abaixo dos níveis máximos alcançados no ano anterior. Essa situação é impulsionada pela diminuição dos incentivos governamentais e por uma demanda interna em declínio.
As montadoras chinesas devem terminar 2026 com aproximadamente 10 milhões de veículos exportados, representando um aumento de 41% em comparação a 2025, quando foram embarcadas 7,1 milhões de unidades, de acordo com projeções da consultoria AlixPartners. As vendas internacionais tornaram-se a principal estratégia para as fabricantes, compensando a desaceleração do consumo local e ajudando o país a manter sua liderança global em exportações, posição conquistada no ano passado ao ultrapassar o Japão.
A Chery lidera entre as montadoras locais, com 1,34 milhão de unidades exportadas em 2025. No entanto, o cenário no mercado interno é preocupante. Dados da Associação Chinesa de Veículos de Passageiros indicam que em junho, 1,04 milhão de carros elétricos a bateria e híbridos plug-in foram emplacados, o que representa uma queda de 7% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do primeiro semestre, as vendas totalizaram 4,73 milhões de unidades, resultando em uma retração de 13% em comparação ao ano anterior.
Vários fatores contribuem para esse desempenho negativo. A economia chinesa ainda está se recuperando de forma lenta, e muitos consumidores estão adiando suas compras na expectativa de novos cortes de preços. Além disso, o suporte estatal para os chamados veículos de nova energia (NEVs) tem diminuído progressivamente ao longo dos anos.
Neste ano, Pequim iniciou a retirada gradual da isenção do imposto sobre vendas concedida às montadoras. Também foi confirmado que os benefícios fiscais anuais para veículos elétricos a bateria, híbridos plug-in, modelos com extensor de autonomia e veículos comerciais movidos a célula de combustível serão reduzidos a partir de 1º de janeiro de 2027. Embora o abatimento seja modesto, variando entre 360 e 660 yuans (US$ 53 a US$ 97) por ano, isso representa um desafio adicional para os consumidores.
A rentabilidade no setor permanece restrita, com apenas três montadoras chinesas operando com lucro no segmento de elétricos. De acordo com a AlixPartners, no máximo mais quatro devem alcançar o ponto de equilíbrio até 2030, enquanto fabricantes menores correm o risco de serem adquiridas por concorrentes maiores ou de deixar o mercado.
A aposta na exportação, no entanto, não é isenta de riscos. Tarifas elevadas na Europa e na América do Norte tornam os carros chineses mais caros, comprimindo as margens e dificultando o planejamento de longo prazo, especialmente em um momento em que as marcas se tornam cada vez mais dependentes das vendas internacionais.





