A Geely está prestes a dar um passo significativo em sua operação no Brasil, com a produção nacional programada para iniciar em setembro de 2026. O Complexo Ayrton Senna, localizado em São José dos Pinhais, Paraná, será o local onde a montadora deixará de ser uma marca apenas de importados. A operação será conduzida pela Renault Geely do Brasil, uma joint venture que utilizará as linhas de montagem da Renault para fabricar dois modelos em sequência.
O primeiro veículo a sair da linha de produção será o SUV híbrido EX5 EM-i, que será lançado em setembro. Logo após, no último trimestre de 2026, será a vez do hatch 100% elétrico EX2, atualmente o modelo mais vendido da marca e o terceiro carro elétrico mais vendido no país. Essas informações foram confirmadas por Ariel Montenegro, presidente e diretor-geral da Renault Geely do Brasil, em uma entrevista.
Ambos os modelos compartilham a plataforma GEA (Global Intelligent Electric Architecture), que também será a base para futuros lançamentos da Renault. O EX2 será montado na unidade CVU (Curitiba Veículos Utilitários), dentro do complexo paranaense, que recebeu um investimento de aproximadamente R$ 3,8 bilhões. Inicialmente, o hatch será produzido em regime CKD, ou seja, importado desmontado da China e posteriormente remontado no Paraná. Com o tempo, a montadora planeja uma transição gradual para a utilização de peças locais.
A decisão de nacionalizar a produção dos modelos tem várias justificativas. Ao fabricar no Brasil, a Geely se resguarda contra a recente alta do imposto de importação sobre veículos eletrificados e diminui a exposição às oscilações cambiais. Além disso, essa mudança propicia uma gestão de estoque mais eficiente e reduz a dependência da logística transcontinental, que já impactou as vendas da Geely no Brasil no início do ano devido ao sucesso inesperado dos modelos importados.
O EX2 nacional também deve chegar ao mercado com algumas atualizações. De acordo com informações do site Autos Segredos, que identificou uma unidade nacionalizada em fase de testes, o hatch receberá um novo para-choque, faróis full-LED, uma central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio nativo, além de uma bateria de maior capacidade, de 47 kWh, em comparação aos 39,4 kWh atuais.







