ICCT alerta: envelhecimento e crescimento da frota podem aumentar 47% as mortes prematuras por poluição rodoviária até 2050. Em 2024, ~8 mil mortes e 9,2 mil casos de asma infantil foram ligadas às emissões veiculares.
O envelhecimento acelerado da população brasileira e o crescimento da frota de veículos são fatores que podem levar a um aumento de 47% no número de mortes prematuras ligadas à poluição do transporte rodoviário até 2050. Essa conclusão é parte de um estudo realizado pelo Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT).
De acordo com o levantamento, cerca de 8 mil pessoas morreram prematuramente no Brasil em 2024 devido à poluição emitida por veículos, posicionando o país na 17ª colocação do ranking mundial. Além disso, foram registrados aproximadamente 9,2 mil novos casos de asma infantil atribuídos à exposição aos poluentes do trânsito no mesmo ano.
Um dos pontos críticos apontados pelo estudo é que populações mais velhas são mais vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica. O Brasil, atualmente, enfrenta um rápido processo de envelhecimento. Consoante as Projeções da População do IBGE de 2024, a parcela de idosos com 60 anos ou mais quase dobrou entre 2000 e 2023, passando de 8,7% para 15,6% da população total.
A tendência de envelhecimento é acentuada: a idade média dos brasileiros aumentou de 28,3 anos em 2000 para 35,5 anos em 2023, com previsões de que atinja 48,4 anos em 2070. Nesse cenário, os idosos devem representar 37,8% da população. O IBGE também prevê que a população do país deixará de crescer a partir de 2041.
Para reverter esse preocupante quadro, o ICCT alerta que a manutenção das políticas atuais pode resultar em um aumento contínuo da mortalidade. Em contrapartida, uma transição acelerada para veículos de emissão zero poderia reduzir em 35% as mortes anuais até 2050, evitando cerca de 65,2 mil óbitos prematuros e 18,6 mil novos casos de asma infantil entre 2024 e 2050.
O instituto estima que, para alcançar essa meta, o Brasil precisaria atingir 61% de vendas de veículos leves elétricos até 2035 e 100% até 2045. Para os veículos pesados, a meta seria de 54% de modelos de emissão zero até 2035. Atualmente, caminhões com emissão zero representam menos de 0,5% das vendas totais.





