A fabricante retirou o LiDAR do teto e abandonou as funções de assistência vinculadas ao sensor. Na Noruega, proprietários receberão 18.000 coroas (≈US$1.900) como indenização.
A Volvo decidiu interromper o uso do LiDAR em seus modelos elétricos EX90 e ES90. Após retirar o sensor de escaneamento a laser do teto dos veículos, a montadora sueca confirmou que também desistiu do desenvolvimento de funções de assistência ao motorista que dependiam dessa tecnologia. Além disso, a empresa começou a indenizar os proprietários que adquiriram os carros contando com essas funcionalidades.
Na Noruega, cada proprietário de um EX90 ou ES90 equipado com o sensor receberá 18 mil coroas norueguesas, o que equivale a aproximadamente US$ 1.900. Esse valor corresponde ao desconto já aplicado nos veículos do ano-modelo 2026 que saíram de fábrica sem o pacote de tecnologias. Nos Estados Unidos, a Volvo oferece cerca de US$ 1.500 em opcionais, como planos de manutenção e créditos de recarga, enquanto na Suécia foram cortadas 16 mil coroas suecas de pedidos pendentes ainda em novembro. Proprietários na Holanda e no Canadá também relataram receber, respectivamente, 1.500 euros e 2 mil dólares canadenses.
A mudança de estratégia começou em novembro de 2025, quando a Volvo iniciou a produção dos modelos sem o sensor e, logo após, rompeu formalmente o contrato com a Luminar, fornecedora do equipamento. Em comunicado, a divisão norte-americana da montadora afirmou que a decisão foi tomada para reduzir a exposição da empresa a riscos na cadeia de suprimentos, resultante do não cumprimento das obrigações contratuais pela Luminar.
O LiDAR, que significa detecção e medição de distância por luz, utiliza pulsos de laser para criar um mapa tridimensional do ambiente ao redor do veículo, contribuindo para a segurança com um alcance de até 250 metros no escuro. A Luminar, que fornecia o sensor desde 2020, viu seu componente perder status de item de série, tornando-se opcional para o ano-modelo 2026 até ser completamente removido. O Polestar 3, que compartilha a plataforma SPA2 com o EX90, também ficou sem o equipamento.
Apesar da eliminação do LiDAR, a Volvo afirmou que os modelos EX90 e ES90 continuam a atender aos rigorosos padrões de segurança da marca, mantendo um alto nível de assistência ao motorista. O EX90 ainda conta com cinco radares, oito câmeras externas, duas internas e 16 sensores ultrassônicos.
Por outro lado, a Luminar enfrentou dificuldades após a ruptura de contrato. A empresa já havia solicitado indenização por perdas significativas contra a Volvo e interrompeu novas entregas do sensor Iris antes de pedir proteção judicial nos Estados Unidos em dezembro de 2025. Sob Chapter 11, a Luminar apresentou um plano de liquidação e negociou a venda de sua divisão de chips para a Quantum Computing por US$ 110 milhões.
O caso gerou debates sobre qual tecnologia deve liderar a condução autônoma. Elon Musk, da Tesla, que defende o uso exclusivo de câmeras, comentou sobre a indenização, ressaltando que humanos dirigem com redes neurais e sensores ópticos. Entretanto, vale destacar que, mesmo sem o LiDAR, o EX90 ainda utiliza radares e sensores ultrassônicos, não migrando para uma arquitetura totalmente visual.
No Brasil, o EX90 é comercializado desde 2025 por cerca de R$ 850 mil, importado dos Estados Unidos, e o LiDAR era um dos principais argumentos de venda do que a marca considerava seu carro mais seguro até então. Até o momento, a Volvo não anunciou se extenderá alguma compensação aos compradores brasileiros.







