A Dushanzi Petrochemical (PetroChina) iniciou operação da nova unidade em 16 de julho, com capacidade de 100 mil t/ano. O processo usa catalisadores à base de terras-raras, para suprir pneus de veículos elétricos.
A China concluiu os testes de uma nova fábrica de borracha sintética, que utiliza catalisadores de terras-raras, material considerado estratégico para a produção de pneus de carros elétricos e caminhões. A unidade, construída pela Dushanzi Petrochemical, subsidiária da PetroChina, entrou em operação no dia 16 de julho e terá uma capacidade de produção de 100 mil toneladas por ano.
A tecnologia desenvolvida utiliza catalisadores à base de neodímio, uma terra-rara cuja produção é amplamente dominada pela China, que detém cerca de 70% da extração mundial e aproximadamente 90% do refino. Desde 2025, o país exige licença prévia para a exportação de vários desses elementos, o que ressalta sua importância estratégica.
O produto resultante dessa nova linha de produção é uma borracha de butadieno, um dos principais tipos de borracha sintética, conhecida por sua resistência ao desgaste. Quando produzido com catalisadores de terras-raras, esse material apresenta características superiores, como maior resistência mecânica, melhor desempenho em baixas temperaturas, menor geração de calor durante o uso e maior resistência a rasgos em comparação aos produtos fabricados com catalisadores convencionais, como os de níquel.
De acordo com o Instituto de Química Aplicada de Changchun, essas propriedades fazem do composto uma escolha ideal para os pneus de veículos elétricos, que necessitam de borrachas mais duráveis devido ao peso adicional das baterias e ao elevado torque dos motores. Essa tecnologia já passou por testes industriais, onde a Shandong Shenchi Petrochemical produziu pneus de caminhão substituindo 50% da borracha natural por uma variante de isopreno obtida com catalisadores de terras-raras. O material obteve uma taxa de vulcanização equivalente à da borracha natural e apresentou desempenho superior aos produtos importados.
A produção de borracha sintética, que começou a ser desenvolvida na China nos anos 1950, surgiu como resposta à escassez de borracha natural e às restrições tecnológicas impostas por países ocidentais. Nos anos 1960, foram publicados os primeiros estudos sobre a síntese de borracha cis-butadieno com o uso de catalisadores de terras-raras. A parceria com a Dushanzi para escalar essa tecnologia industrialmente se estabeleceu em 2006.
Em um estudo de 2020, pesquisadores do Instituto de Pesquisa da Sinopec designaram a borracha sintética como um “importante recurso estratégico nacional”, com aplicação em setores como transporte, indústria, defesa e bens de consumo. Eles destacaram que essa nova rota de produção pode aumentar a autossuficiência do país e reduzir o déficit de borracha natural.
Este movimento ocorre em um contexto onde a indústria brasileira de pneus enfrenta dificuldades, com importados asiáticos dominando o mercado. Segundo a Anip, associação do setor, os pneus importados representaram 72% do mercado de reposição de pneus de passeio e carga em janeiro de 2026, enquanto a participação nacional caiu de 66% em 2021 para 28%.





