A Farizon, empresa do Grupo Geely, inicia operação no mercado brasileiro com o F3E, um VUC elétrico com PBT de 3,5 toneladas que desembarca no país com preço sugerido de R$ 240.000. O lançamento ocorre simultaneamente a outras estreias internacionais, incluindo o mercado chinês, e tem foco em distribuição urbana, em especial atividades ligadas ao comércio eletrônico e às entregas de última milha.
Representada no Brasil pelo Grupo Timber, a marca aposta que o transporte urbano será um dos segmentos com maior avanço da eletrificação no país. O F3E foi projetado para operações otimizadas, com a expectativa de que o veículo retorne à garagem diariamente e seja recarregado durante a noite, condição que, segundo a fabricante, maximiza eficiência e reduz necessidade de infraestrutura de recarga ultrarrápida em rota.
“Em nossos levantamentos, com base em operações de grandes empresas de comércio eletrônico em trajeto urbano, a quilometragem média de um VUC gira em torno de 120 km. Isso significa que o F3E, dependendo da operação, pode rodar até dois dias sem recarga”
— Rodrigo Pikussa, responsável pelas operações da Farizon no Brasil.
Tecnicamente, o F3E aposta em um motor elétrico de 150 cv e 30,6 kgfm de torque, alimentado por uma bateria de 72,84 kWh e tecnologia Fosfato de Ferro-Lítio (LiFePO4). A autonomia estimada fica na faixa de 250 km, um patamar que a marca considera adequado para a rotina de frotas urbanas, evitando o aumento de massa e custo associado a baterias maiores.
O veículo traz entre-eixos de 3,70 metros, 60 centímetros superior ao de configurações convencionais do segmento, o que permite instalar baús mais longos com menor necessidade de altura.
“Quando o baú é muito alto, há um comprometimento da estabilidade, sem contar que há limitações de empilhamento da carga”
— Rodrigo Pikussa, responsável pelas operações da Farizon no Brasil.
Além da arquitetura de carga e propulsão, o F3E incorpora itens de conforto e assistência: partida sem chave, assistentes de condução, climatização digital, quadro de instrumentos digital e multimídia flutuante com conexão para smartphones. A Farizon destaca que esses recursos reduzem desgaste dos motoristas e contribuem para a redução de acidentes e custos operacionais.
“Hoje o frotista já pensa no conteúdo embarcado, que aumenta a satisfação e retenção do motorista. Além disso, o motorista de e-commerce é muito exigido e, estatisticamente pelo número de sinistros, se expõe a mais riscos. Ferramentas de auxílio vão reduzir, acidentes e consequentemente, custos operacionais, além de oferecer mais segurança para quem passa horas ao volante”
— Rodrigo Pikussa, responsável pelas operações da Farizon no Brasil.
Em recarga, o F3E aceita wallbox de 7 kW, redes trifásicas e estações de corrente contínua de até 100 kW. A abordagem recomendada pela marca prioriza pontos de recarga fixos na base durante a noite, com custo de energia inferior e menor dependência de carregadores de alta potência.
Na comparação de preços, o F3E custa R$ 45.000 a mais que um Kia Bongo de 2,5 toneladas, referência mencionada pela empresa com faixa de preço em R$ 195.000. A fabricante sustenta que essa diferença pode ser compensada pela operação elétrica dependendo da quilometragem diária, do preço do diesel e da tarifa de energia elétrica. A bateria tem garantia de oito anos ou 400.000 km.
“A expectativa é de que o veículo seja substituído, em média, depois de cinco anos de uso, enquanto a bateria tenha vida útil superior à do próprio caminhão. A ausência de componentes como motor a combustão, sistema de escapamento e câmbio também reduz a quantidade de itens sujeitos a manutenção”
— Rodrigo Pikussa, responsável pelas operações da Farizon no Brasil.
A fabricante também projeta mudança no mercado de usados, com demanda por veículos elétricos crescendo em alguns segmentos e potencial impacto positivo no valor residual do F3E.







