Na IFA Berlin, a divisão automotiva da Xiaomi assinou memorandos com oito grandes grupos de concessionárias alemães, como LUEG e Emil Frey. A empresa mira iniciar vendas na Alemanha e em outros países europeus em 2027.
A Xiaomi confirmou nesta semana, durante a IFA Berlin, que pretende iniciar em 2027 a venda de automóveis na Alemanha e em outros países europeus. Para viabilizar a operação, a divisão automotiva da empresa assinou memorandos de entendimento com oito grandes grupos de concessionárias alemães — o primeiro passo concreto para montar uma rede de vendas e pós-venda fora da China.
Dois dos grupos envolvem simbolismo histórico e escala comercial: o LUEG, primeiro concessionário autorizado da Mercedes-Benz na Alemanha, e o Emil Frey, um dos maiores distribuidores de veículos da Europa. É importante destacar que memorandos de entendimento não têm força de contrato; eles formalizam a intenção de negociar e não criam obrigações comerciais definitivas.
Segundo Yu Liguo, vice‑presidente da Xiaomi Auto e responsável pela operação internacional, as parcerias locais são o eixo central da estratégia europeia. O executivo afirmou que a companhia está comprometida com investimentos de longo prazo na região e citou o centro de pesquisa e desenvolvimento de Munique como base para adaptar produtos ao consumidor local. A empresa diz que pretende recrutar novos parceiros em outros países europeus até a estreia.
A ofensiva comercial da marca se apoia em um histórico curto, mas com números relevantes. Desde as primeiras entregas do SU7, em março de 2024, a Xiaomi já entregou mais de 700 mil veículos na China continental. A família SU7 superou 500 mil unidades em 28,5 meses, enquanto o SUV YU7 registrou mais de 240 mil pedidos firmes em 18 horas de pré‑venda. A linha Skynomad, apresentada em julho, estreou oficialmente no dia 7.
Para o mercado brasileiro, não há qualquer anúncio por parte da empresa. O fundador Lei Jun afirmou em 2025 que a companhia só consideraria vender veículos fora da China a partir de 2027, uma decisão ligada à fila de espera doméstica e à capacidade da fábrica de Pequim. Relatos em 2025 apontaram conversas com ao menos três importadoras brasileiras, sem desdobramento oficial.
Na comparação com o cenário atual do Brasil, marcas chinesas como BYD, GWM, GAC, Changan, Zeekr e Jetour já estão presentes com redes próprias — um contexto em que a chegada da Xiaomi se daria de forma tardia em relação à concorrência estabelecida. Resta acompanhar como os memorandos com os grupos alemães se desdobrarão em contratos operacionais e qual será o cronograma concreto de abertura de pontos de venda e serviços quando a empresa lançar oficialmente seus modelos no mercado europeu em 2027.





