Relatos do setor dizem que a frota própria da BYD subiria a 18 navios, com acréscimo de cerca de 92 mil CEUs. Os navios seriam fabricados pela China Merchants Industry em Jinling e Haimen, com entregas entre 2027 e 2029.
Relatos do setor de transporte marítimo indicaram que a BYD teria encomendado dez novos navios cargueiros PCTC (Pure Car and Truck Carrier) com capacidade de 9.200 unidades CEU cada. Caso confirmado, o pedido elevava a frota própria da montadora chinesa para 18 embarcações e acrescentaria cerca de 92 mil CEUs à capacidade atual, levando a capacidade total da frota para mais de 130 mil CEUs.
Os navios seriam construídos pela China Merchants Industry nos estaleiros de Jinling e Haimen, com entregas previstas entre 2027 e 2029. O valor do contrato não foi divulgado; nem a BYD nem o estaleiro se pronunciaram sobre o negócio.
O termo CEU (Car Equivalent Unit) mede o espaço a bordo da embarcação e não corresponde diretamente ao número de carros despachados por ano. Os PCTC são projetados exclusivamente para transporte de veículos, diferenciando-se dos navios RoRo (roll-on/roll-off), nos quais os carros embarcam e desembarcam sobre as próprias rodas.
A BYD concluiu sua primeira frota própria, composta por oito navios, em setembro de 2025, com a entrada em operação do BYD Jinan. As embarcações dessa primeira leva eram do tipo RoRo, com capacidades variando entre 7.200 e 9.000 carros, dependendo do modelo. O primeiro navio dessa série, Explorer No. 1, foi entregue em janeiro de 2024 e, segundo registros de construção, foi repassado a uma armadora e fretado pela BYD.
Na configuração atual, a frota vinha com capacidade declarada para escoar cerca de 1 milhão de carros por ano; com a adição das dez embarcações encomendadas, estima-se que a capacidade anual subiria para aproximadamente 2,5 milhões de unidades, conforme projeções do mercado marítimo e do setor automotivo.
Além de atender demanda doméstica, a frota própria da BYD também passa a dar suporte às exportações de fábricas instaladas fora da China. Em setembro de 2025, um dos navios da empresa transportou veículos com volante à direita produzidos na unidade tailandesa até o Reino Unido. A produção na Tailândia permite escapar de tarifas antissubsídio aplicadas pela União Europeia, que somam 17% adicionais sobre os 10% de direitos já cobrados em determinados casos.
No campo comercial, os números mostram crescimento nas exportações e retração no mercado interno. Em agosto de 2026, a BYD exportou 184 mil veículos de passageiros produzidos na China, alta de 131% na comparação anual e de 6% frente a julho; entre janeiro e agosto foram 1,127 milhão de unidades, aumento de 88% sobre o ano anterior. Em contrapartida, as vendas domésticas da marca caíram: 184 mil unidades vendidas na China em agosto representaram queda de 35% sobre o mesmo mês de 2025, e no acumulado dos oito primeiros meses de 2026 as vendas internas somaram 1,15 milhão, recuo de 43%.
O Brasil ocupa posição central na estratégia de produção e exportação da BYD fora da China. A fábrica de Camaçari (BA) iniciou a produção em julho de 2025 e, em março, anunciou pedidos de exportação de 100 mil veículos para Argentina e México. A produção local reduz a exposição à alíquota de importação de 35% aplicada a elétricos e híbridos desde julho de 2026.





