A Toyota confirmou a produção da Hilux FCEV, a primeira versão da picape movida a células de hidrogênio da marca. O veículo está prevista para chegar ao mercado europeu em 2028 e deverá ser oferecida ao lado de versões a diesel e elétrica. O anúncio ocorreu durante o Salão Internacional de Transportes (IAA Transportation) em Hannover, nesta semana.
A fabricante promete que a Hilux FCEV terá autonomia superior a 400 km segundo o ciclo WLTP e capacidade de reboque de até 2.500 kg. Para efeito de comparação, a Hilux elétrica tem autonomia de 257 km (WLTP) e pode rebocar entre 1.600 kg e 2.000 kg, dependendo da configuração, enquanto a Hilux a diesel mantém capacidade de reboque de até 3.500 kg.
No teaser divulgado pela Toyota, a picape media apresentou nova assinatura luminosa, com luzes diurnas segmentadas, definindo algumas alterações estéticas na dianteira. Apesar da inovação técnica, o modelo deverá ser destinado a poucos, uma vez que, atualmente, há 179 postos de abastecimento de hidrogênio em operação na Europa, segundo dados do Observatório Europeu de Hidrogênio.
O desenvolvimento da Hilux a hidrogênio não é inédito na montadora: o trabalho com células de combustível já vinha sendo perseguido pela marca em outros projetos. No caso da Hilux, o projeto foi iniciado em 1º de julho de 2022, com a apresentação de protótipos desenvolvidos na fábrica da empresa em Derby, Inglaterra, e recebeu aporte financeiro do governo do Reino Unido para custeio do projeto. Os testes em condições reais começaram em 2024 com dez protótipos.
Mecanicamente, os protótipos utilizaram o mesmo conjunto do Mirai: a picape era impulsionada por um motor elétrico de 182 cv e 30,6 kgfm, entregando torque instantâneo, baixo ruído e emissão zero no uso, com liberação apenas de água pelo processo. Nos ensaios, a autonomia da Hilux chegou a 600 km.
O combustível foi armazenado em três tanques que somam 7,8 kg de capacidade, instalados dentro do chassi de longarinas. A pilha de 330 células de combustível foi montada sob o eixo traseiro e a bateria de íons de lítio, responsável por armazenar a energia gerada pelas células, ficava localizada abaixo da caçamba para não reduzir o espaço da cabine. Ainda não se sabe se o modelo de produção seguirá exatamente esses princípios de arquitetura.
O anúncio reforça a estratégia da marca de diversificar propulsores em sua linha de veículos comerciais, mas também expõe as limitações de infraestrutura e de aplicação prática para picapes destinadas a mercados amplos.








