Comissão da F1 aprovou reduzir GPs de 305 km para 290 km a partir de 2027 (2-3 voltas a menos). Mudança acompanha aumento de 5% no fluxo de combustível – motor sobe de 544 para 571 cv – e aguarda ratificação.
A Fórmula 1 vai encurtar suas corridas a partir de 2027. A Comissão da F1 aprovou nesta segunda-feira (21), em reunião na sede da FIA em Londres, a redução da distância padrão dos Grandes Prêmios de 305 km para 290 km — o equivalente a duas ou três voltas a menos conforme o traçado. A decisão ainda depende de ratificação do Conselho Mundial de Automobilismo, etapa considerada formalidade.
O corte responde ao ajuste nas unidades de potência previsto para o ano que vem. O fluxo de combustível liberado ao motor a combustão sobe 5%, elevando o teto dessa parte do conjunto de 544 cv para 571 cv. Em contrapartida, a potência máxima do motor elétrico MGU-K cai de 476 cv para 408 cv em condições normais de corrida, mantido o pico de 476 cv no modo de ultrapassagem.
Com isso, a proporção entre combustão e eletricidade sai dos atuais 53%-47% para 58%-42% em 2027. O estágio final, de 60%-40%, ficou para 2028, quando o fluxo de combustível será 13% maior que o de 2026. Esses números alteram a composição energética das corridas e influenciam estratégias de consumo, balanceamento de freios e gestão de pneus.
Sem tanque maior, menos quilômetros. Queimar mais combustível exige levar mais combustível a bordo. Como o tanque é integrado à estrutura do carro e não pode ser ampliado sem um chassi novo, as equipes preferiram cortar quilometragem a redesenhar os monopostos, opção que elevaria os custos justamente no ano em que pretendem reaproveitar boa parte dos projetos de 2026.
A Comissão da F1, formada por equipes, FIA e detentores dos direitos comerciais, também mexeu nas regras de paralisação. O teto de três horas entre a largada e o fim da prova, contabilizando interrupções, deixa de existir. No lugar entra um horário limite de encerramento, o hard stop time, ajustável caso a caso conforme o circuito e a luz natural disponível. O limite de duas horas de corrida efetiva continua valendo.
Segundo a FIA, a mudança busca ampliar a chance de o público acompanhar a prova completa quando houver interrupção por chuva ou acidente. Os treinos livres também poderão ser estendidos se forem cortados por bandeiras vermelhas. Na mesma reunião, a comissão aprovou o fim da homologação de câmbios em 2027, medida que, segundo a entidade, preserva a liberdade de desenvolvimento dos fornecedores.
No Brasil, o efeito será sentido em Interlagos. O circuito paulistano tem 4,309 km por volta e hoje cumpre 71 giros, o que dá 305,879 km. Pelo novo mínimo, a prova cairia para 68 voltas e cerca de 293 km. O Grande Prêmio de Mônaco, exceção histórica com 78 voltas e 260 km, não deve ser afetado pela regra.





