A segunda maior fabricante mundial de motos anunciou planos para produzir no Brasil após décadas focada na Índia. Em 2025, a Hero fabricou entre 5,9 e 6,25 milhões de unidades, atrás apenas da Honda.
A Hero, segunda maior fabricante de motocicletas do mundo em volume, confirmou planos de entrada industrial no Brasil após anos de atuação concentrada no mercado indiano. Em 2025 a empresa produziu entre 5,9 milhões e 6,25 milhões de unidades, dependendo da compilação, ficando atrás apenas da Honda, que registrou 20,2 milhões de unidades no mesmo período.
O histórico da empresa explica parte do anonimato da marca fora da Índia. Criada em janeiro de 1984 como joint venture com a Honda, a Hero iniciou produção em 1985 com a CD 100 e alcançou grande êxito com a Splendor, de 1994; em 2000 a Splendor foi declarada o modelo de duas rodas mais vendido do mundo. A parceria com a Honda foi encerrada no fim de 2010, quando a montadora japonesa vendeu sua fatia de 26% por mais de 6,4 mil crores de rupias (cerca de R$ 11,8 milhões, conforme o valor das moedas na época) e a empresa passou a operar como Hero MotoCorp em 2011.
Após o rompimento, a Hero passou a desenvolver tecnologia própria: o primeiro modelo sem tecnologia Honda foi a Impulse, de 2011, e a Splendor iSmart 110, de 2016, foi o primeiro projeto inteiramente interno. Em 2022 a empresa criou a Vida, divisão dedicada a elétricos. A estratégia atual combina P&D próprio e parcerias: acordos com Harley-Davidson e Zero Motorcycles, participação acionária na Ather Energy (investimento feito em 2016) e centros técnicos, incluindo um Centro Técnico na Alemanha, que desenvolveu modelos como a Mavrick 440 e a Xtreme 125R.
A escala de produção da Hero é grande, mas concentrada: a empresa opera oito fábricas — cinco na Índia e as demais em Bangladesh, Colômbia e Quênia — e atua em quase 50 países. Grande parte do volume provém do mercado doméstico indiano, onde a marca domina a baixa cilindrada, o que explica a diferença entre ser gigante em volume e ter reconhecimento mais limitado fora da Índia.
O Brasil entrou no mapa da Hero em agosto de 2024, quando a companhia comunicou intenção de atuar no mercado nacional. Em abril de 2025 a empresa registrou CNPJ no Brasil; em maio de 2025 a marca apresentou à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) projeto para uma fábrica no Polo Industrial de Manaus, com produção de modelos elétricos e a combustão voltada, num primeiro momento, ao mercado interno. A autorização concedida na 321ª reunião do Conselho de Administração da Suframa, no início de dezembro, abrange motonetas e motocicletas de 100 cm³ a 450 cm³.
A capacidade planejada para a unidade é modesta: cerca de 7.000 unidades no primeiro ano, 12.000 no segundo e 28.000 no terceiro. Para comparação, o mercado brasileiro fechou 2025 com 2,19 milhões de emplacamentos, recorde histórico e alta de 17,1% sobre 2024, segundo a Abraciclo; as 28.000 motos previstas no terceiro ano representam pouco mais de 1% desse volume.
Não há definição oficial sobre a linha inicial que sairá de Manaus, mas o portfólio indiano apresenta modelos alinhados à faixa autorizada. O MOTOO aponta a Mavrick 440 e a XPulse 210 como destaques. A XPulse 210, lançada na Índia em janeiro de 2025, traz motor de 210 cm³ DOHC de quatro válvulas com refrigeração líquida, 24,6 cv a 9.250 rpm e 2,11 kgf.m a 7.250 rpm; câmbio de seis marchas com embreagem assistida e deslizante; chassi semiberço duplo em aço de alta resistência; suspensão traseira com link; freios a disco de 276 mm e 220 mm com ABS de dois canais e três modos; altura livre do solo de 220 mm e tanque de 13 litros. O modelo tem base mecânica derivada da Karizma XMR 210, substituindo a refrigeração a óleo da XPulse 200 4V. Aqui encararia XRE 300 e NXR 160 Bro
O desafio para a Hero será traduzir volume de produção em presença de marca e rede de pós-venda no Brasil, onde o mercado é competitivo e a liderança ainda está concentrada entre marcas com forte malha comercial e de serviços.







