Guibing Zhang, CEO global da Chery, afirma que o QQ3 só será competitivo no Brasil se for montado no país. O grupo busca produzir localmente por conta própria, descartando a importação integral.
O Chery QQ3 só chegará ao Brasil se for montado em território nacional, afirmou o CEO global do Grupo Chery, Guibing Zhang. Para o executivo, a fabricação local é condição para que o modelo seja competitivo no mercado brasileiro, onde a presença de fabricantes com produção instalada já define boa parte das condições de preço e operação.
“A importação integral não é o melhor cenário, e seria necessário produzir localmente para podermos ser competitivos”
O grupo busca uma solução para produzir no Brasil por conta própria. Hoje, os modelos Chery feitos no país são fruto de uma operação do Grupo Caoa, que monta modelos da família Tiggo em Anápolis (GO). A Chery tem ao menos duas alternativas de curto prazo para fabricar veículos diretamente no mercado brasileiro.
Caminhos para produção no Brasil
- Negociação por unidade da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ): A fabricante tem negociado com a Jaguar Land Rover a aquisição da planta que encerrou suas atividades na virada do semestre, mas um acordo ainda está distante de ser concluído.
- Retomar a planta de Jacareí (SP): A segunda opção seria reativar a unidade erguida em 2014, cuja operação anterior foi interrompida por falta de entendimento com o sindicato dos metalúrgicos da região.
Além das questões industriais, existem entraves contratuais a serem resolvidos: o direito de uso do nome QQ no Brasil pertence ao Grupo Caoa, e essas amarras legais precisam ser contornadas para viabilizar um lançamento próprio da Chery.
Concorrentes e posição do modelo
- Geely EX2
- BYD Dolphin (e Dolphin Mini)
- GAC Aion UT
- GWM Ora 03
- Leapmotor B03
Na China, o novo QQ é um sucesso de vendas e disputa um segmento fortemente competitivo, onde o Geely EX2 tem desempenho de destaque. No varejo brasileiro, a presença de BYD e Geely com instalações locais já em funcionamento altera o desenho competitivo, reforçando o argumento da Chery de que a importação integral não seria viável em termos de custo e posicionamento.
O QQ3 é um hatch com 4,19 m de comprimento e 2,70 m de distância entre-eixos (a mesma do V23). O projeto traz linguagem de design próxima à do EX2, com entalhes na coluna C que remetem ao campeão de vendas no mercado chinês. Em termos de carroceria e espaço interno, o modelo entrega acabamento considerado bom e habitabilidade ampla para o segmento.
Em termos de propulsão, o hatch é equipado com motor de 122 cv e bateria de 41,2 kWh. Segundo a Chery, a autonomia é de 420 km no ciclo chinês. Em recarga rápida, o modelo pode recuperar de 30% a 80% da carga em menos de 17 minutos em estação de corrente contínua. A lista de equipamentos inclui quadro de instrumentos digital, central multimídia de grande formato e assistentes de condução.
Diante desses elementos, a chegada do compacto ao mercado brasileiro permanece incerta: a Chery considera que a fabricação local é pré-requisito para competir, e as negociações industriais e contratuais em curso definirão se o QQ3 será efetivamente produzido e comercializado no país.






