Lançada em outubro, a picape chega com motorização exclusiva a etanol e proposta de custo-benefício, vendida apenas com cabine simples. O 1.6 MSI recalibrado entrega 116 cv e 16,1 kgfm; o desenvolvimento durou 740 horas.
A Volkswagen lançou em outubro a Saveiro Robust com motorização exclusiva a etanol, retomando ao mercado brasileiro um automóvel 100% movido pelo biocombustível duas décadas depois do surgimento da tecnologia flex. A configuração preserva a essência de veículo de trabalho: será vendida apenas com cabine simples e foco no custo-benefício.
O motor é o conhecido 1.6 MSI recalibrado para operar exclusivamente com etanol, entregando 116 cv e 16,1 kgfm. O ciclo de desenvolvimento para essa versão foi curto: 740 horas, o equivalente a três meses de trabalho em jornadas de oito horas. Segundo a fabricante, as intervenções limitaram-se à otimização da partida a frio, ajustes nos limites de avanço de ignição e na dirigibilidade, com calibragem voltada para melhorar a entrega de torque em rotações intermediárias.
Do ponto de vista fiscal, a introdução da Saveiro a etanol aproveita as regras do chamado IPI Verde, parte do Programa Mover. No cálculo do imposto, um veículo com motor projetado para etanol reduz a alíquota em 0,5 ponto percentual em relação ao ponto de partida usado para motores flex, contribuindo para o preço final. Com essa regra, a Saveiro a etanol é comercializada por R$ 111.490, R$ 4.200 abaixo da versão Robust com motor flex, que custa R$ 115.690. A vantagem pode aumentar com descontos para vendas diretas, que podem levar o preço a cerca de R$ 85.000, e ainda haver abatimentos adicionais para empresas ou produtores rurais, na ordem de aproximadamente R$ 30.000.
Nos testes de desempenho, a Saveiro a etanol acelerou de 0 a 100 km/h em 11,1 s, 1,3 s mais rápida do que a Saveiro Robust abastecida com gasolina em avaliação anterior. As retomadas ficaram melhores: 40 a 80 km/h em 7,4 s (0,9 s a menos) e 80 a 120 km/h em 22 s (2,4 s a menos que a versão a gasolina).
Em consumo, a fabricante afirma ganho de até 5% de economia quando comparada ao motor flex operando com etanol, indicando 8,1 km/l na cidade e 8,9 km/l na estrada. No teste prático, a picape registrou 8,0 km/l em uso urbano e 10,4 km/l em rodovia.
O remapeamento para etanol trouxe, porém, alteração no perfil sonoro do motor. Em ponto morto, o nível sonoro atingiu 42,9 dB, aumento de 8,8 dB em relação à avaliação da versão a gasolina; em rotação máxima chegou a 68,7 dB, 7,3 dB a mais. Em regimes intermediários, entre 2.000 e 3.400 rpm, essa diferença desaparece, e na pista a Saveiro marcou 67,4 dB a 80 km/h e 74,2 dB a 120 km/h — valores inferiores aos 72,8 dB e 75,1 dB registrados pela picape a gasolina nas mesmas velocidades.
Um item técnico relevante não alterado foi a taxa de compressão: a Saveiro manteve a relação 11,5:1 usada na variante flex, apesar da possibilidade técnica de aumentar a compressão em um motor projetado apenas para etanol, o que poderia melhorar eficiência. A versão de entrada oferece acabamento simples: rodas de aço de 15 pol., ar-condicionado de série, chave tipo canivete sem comandos e sem opcionais, reforçando o posicionamento como ferramenta de trabalho.





















