São Paulo – A Honda confirmou que investirá R$ 4,2 bilhões em suas operações brasileiras até 2030, com foco na modernização da fábrica de Itirapina (SP) e na nacionalização de novos modelos. O primeiro fruto do aporte será o inédito WR-V, que estreia em novembro no segmento de SUVs subcompactos e terá sua primeira aparição pública durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 de São Paulo.
Capacidade maior em Itirapina
Segundo Marcelo Langrafe, diretor comercial da Honda Automóveis do Brasil há pouco mais de 11 meses, a planta de Itirapina passará a operar em dois turnos completos a partir de dezembro, elevando a capacidade anual para 120 mil veículos. Mesmo com a ampliação, o volume ainda fica abaixo da Toyota, que produz 268 mil unidades/ano em Sorocaba (SP).
Disputa cada vez mais acirrada
A ofensiva acontece em meio ao avanço das marcas chinesas. Entre janeiro e setembro de 2025, a BYD atingiu 5,41 % de participação e superou a Honda, que caiu para 5,21 %, ocupando o oitavo lugar no ranking da Fenabrave. A lista é liderada por Volkswagen (18,11 %), seguida por Fiat (15,70 %) e Chevrolet (10,93 %).
Gama limitada pressiona preços
Enquanto concorrentes oferecem várias configurações, o Civic de 11ª geração permanece à venda em versão única por R$ 265.900. Para efeito de comparação, o Toyota Corolla parte de R$ 171.590 e o BYD King começa em R$ 169.990.
Linha atual concentra vendas no HR-V
Hoje, o HR-V é o carro de maior sucesso da marca, figurando como o quarto SUV mais vendido do país. Já o Civic aparece apenas em sexto entre os sedãs médios, atrás do BYD King. O City Sedan ocupa a terceira colocação no segmento e o City Hatch, a sexta, atrás inclusive do elétrico Dolphin Mini, de entrada da BYD.
Híbrido flex ainda sem previsão
Apesar do investimento, a Honda admite que sua aposta no híbrido flex está atrasada. A tecnologia, desenvolvida localmente, não tem data de lançamento. No momento, apenas a Toyota vende veículos híbridos flex (Corolla e Corolla Cross), e essas versões representaram 12,9 % e 15,6 % das vendas de cada modelo entre janeiro e agosto. A Honda comercializa híbridos importados – CR-V, Accord e Civic – mas o preço elevado restringe o volume.
Perfil do comprador e crédito
O cenário de juros elevados também preocupa a montadora. Com a Selic em 15 % ao ano, Langrafe reconhece impacto nas decisões de compra, mas afirma que 75 % dos clientes da marca pagam à vista, o que diminui a exposição à inadimplência.
Mais um lançamento em 2025
Além do novo WR-V, a Honda prepara outro modelo para o mercado brasileiro ainda em 2025, porém detalhes permanecem sob sigilo.
Com 27 anos de carreira na empresa – boa parte deles na divisão de motocicletas, onde a Honda mantém cerca de 70 % de participação – Langrafe agora tem a missão de recuperar terreno no disputado mercado de automóveis.
Com informações de g1





