Em 2026, os modelos eletrificados corresponderam a 16,8% dos carros zero quilômetro licenciados no Brasil, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Trata-se da maior participação desse tipo de veículo registrada até hoje no país, o que significa que, em média, um a cada seis novos emplacamentos envolve algum tipo de propulsão elétrica.
Do total de unidades eletrificadas vendidas, 35% são híbridos produzidos em território nacional. “Esse resultado reforça a importância da produção local no processo de transição tecnológica e indica uma trajetória de crescimento ao longo de 2026. O produzido aqui no Brasil cresce mais do que aquele importado”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
Crescimento do programa Carro Sustentável
O avanço dos veículos eletrificados ocorre em paralelo a uma forte expansão das vendas dentro do programa Carro Sustentável, que concede isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a carros compactos com alta eficiência energética e baixo impacto ambiental fabricados no país. Entre 11 de julho de 2025 e 31 de janeiro de 2026, foram comercializadas 282 mil unidades enquadradas no programa, alta de 22,6% em comparação ao mesmo período anterior, quando foram emplacados 230 mil veículos.
Ao detalhar as modalidades de venda, as concessionárias puxaram o aumento, com crescimento de 63,1% nos emplacamentos, enquanto as negociações diretas — feitas sem o intermédio das lojas oficiais — subiram 13,1%. No período entre julho de 2024 e janeiro de 2025, o total de veículos do programa vendido chegou a 201,4 mil unidades, indicando então uma alta de 14,5% em relação ao ciclo anterior à criação do programa.
Regras e impactos do IPI Verde
Para obter a isenção do IPI, o veículo deve emitir menos de 83 gramas de CO₂ por quilômetro rodado, ter no mínimo 80% de materiais recicláveis e ser totalmente montado no Brasil — incluindo soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem final —, além de se enquadrar nas categorias de carro compacto. A alíquota base aplicada é de 6,3% para veículos de passeio e de 3,9% para comerciais leves, ajustada conforme critérios como eficiência energética, tecnologia de propulsão, potência, segurança e reciclabilidade.
O decreto que estabelece o programa prevê que carros com melhor desempenho ambiental e tecnológico recebam descontos adicionais, enquanto os de pior desempenho terão acréscimos no tributo. De acordo com o governo, a medida não causará impacto fiscal e deve beneficiar cerca de 60% dos modelos vendidos em 2024.
Entre os veículos habilitados ao programa estão o Renault Kwid, Fiat Mobi, Fiat Argo, Hyundai HB20, HB20S, Volkswagen Polo, Saveiro, T-Cross, Nivus e os Chevrolet Onix e Onix Plus.
Com informações de G1





