Na segunda-feira, com base em informações da Reuters, a Volvo anunciou o recall de 40.323 unidades do SUV elétrico EX30, comercializado nas versões Single-Motor Extended Range e Twin-Motor Performance. A medida envolve a substituição gratuita dos módulos de alta tensão dos pacotes de bateria, ponto central da estratégia da montadora para enfrentar concorrentes chineses de preço mais baixo.
A fabricante, controlada majoritariamente pela chinesa Geely, afirmou que já está contatando os proprietários dos veículos afetados para instruí-los sobre os procedimentos de troca das peças. Até a conclusão do reparo, os clientes foram orientados a limitar a recarga da bateria a 70% e evitar estacionar o carro próximo a estruturas, reduzindo o risco de incêndio.
O anúncio do recall impactou as ações da Volvo, que registraram queda de 4% no pregão. Especialistas do setor ressaltam que, em um mercado cada vez mais competitivo, a segurança das baterias é fundamental para a reputação dos fabricantes e a confiança dos consumidores.
Em 2020, por exemplo, a General Motors recolheu cerca de 140 mil unidades do Chevrolet Bolt devido a defeitos nas baterias fornecidas pela LG, com custos estimados em US$ 2 bilhões. A Volvo, por sua vez, aponta que os módulos defeituosos foram produzidos pela joint venture Shandong Geely Sunwoda Power Battery Co., apoiada pelo grupo Geely.
Segundo a montadora, a falha já foi corrigida pelo fornecedor, que será responsável pelo envio das novas células. Apesar disso, estimativas preliminares da Reuters indicam que o custo apenas dos módulos de reposição pode chegar a US$ 195 milhões, sem considerar despesas de logística e mão de obra. A Volvo classifica esses valores como especulativos e informa que mantém negociações com o parceiro.
Analistas como Sam Fiorani, vice-presidente de previsão global da AutoForecast Solutions, destacam que o EX30 é peça-chave no portfólio da Volvo e que qualquer problema de segurança precisa ser rapidamente solucionado. Andy Palmer, veterano da indústria automotiva, reforça que a marca não pode comprometer sua fama de sinônimo de proteção.
Antes da confirmação oficial do recall, dois proprietários já haviam manifestado insatisfação. O britânico Matthew Owen afirmou que escolheu o EX30 pela autonomia e segurança atribuídas à Volvo, enquanto o neozelandês Tony Lu relatou redução na quilometragem após a limitação de recarga.
Com o programa de substituição em andamento, a Volvo espera concluir os reparos sem custos aos clientes e preservar a confiança em sua linha de veículos elétricos.
Com informações de G1





