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O Leapmotor B10, SUV elétrico com preço de R$ 182.990, estreou no mercado brasileiro como mais uma opção entre os modelos chineses no país. O g1 passou uma tarde ao volante do veículo em um trajeto que incluiu trecho urbano em São Paulo e 75 km de estrada até Cabreúva (SP) para avaliar desempenho, dirigibilidade e equipamentos.
Externamente, o B10 adota linhas discretas e soluções já comuns entre concorrentes chineses: grade frontal reduzida, faróis com luzes diurnas separadas, maçanetas embutidas e o nome da marca aplicado na tampa do porta-malas. A carroceria tem formato que favorece a aerodinâmica, o que contribui para a autonomia da bateria, mas a falta de originalidade torna o modelo facilmente comparável a outros SUVs da mesma origem.
No interior, a inspiração em modelos da Tesla é perceptível. O carro traz teto solar panorâmico fixo, central multimídia de 14,6 polegadas que concentra grande parte dos comandos — incluindo ajustes dos retrovisores, controle dos faróis e abertura da cortina do teto — e volante com apenas quatro botões e duas rodas giratórias com funções variáveis conforme o menu. O câmbio fica atrás do volante, a ativação do piloto automático ocorre pela mesma alavanca e a chave é em formato de cartão.
Um detalhe curioso são os furos no painel à frente do passageiro, destinados a acessórios vendidos pela Leapmotor na China, como enfeites e pequenas bandejas. No Brasil esses itens ainda não são comercializados oficialmente, mas os encaixes estão presentes e podem ser usados para fixar objetos.
No quesito tecnologia, o destaque é o chip Snapdragon SA8155P, da Qualcomm, responsável pela central, câmeras e sensores. Segundo a fabricante, o componente permite exibir conteúdo em até três telas simultâneas, oferece conexão 4G e é compatível com Android Automotive. Durante o teste, a interface respondeu sem travamentos e com qualidade gráfica comparada à de um console PlayStation 5, segundo a avaliação do veículo.
Em termos de dirigibilidade, o B10 mostrou ajuste mais firme de suspensão do que o C10, com alterações em componentes da suspensão traseira, rigidez das molas e amortecedores que resultaram em melhor absorção de pequenos impactos urbanos e maior estabilidade em curvas rápidas na estrada. O conjunto entrega 218 cv de potência e torque de 24,5 kgfm. A tração é exclusivamente traseira, o que é incomum entre SUVs; o veículo controla bem esse comportamento, mas a direção ficou muito leve em baixas velocidades.
Na prática, o B10 não teve dificuldades em ultrapassagens, mesmo com dois adultos a bordo durante o ensaio. Ainda assim, a autonomia de bateria de 288 km fica atrás de rivais como Omoda E5 (345 km), GAC Aion V (389 km), MGS5 (351 km), Geely EX5 (349 km) e Chevrolet Captiva EV (304 km). No segmento de preço, o BYD Yuan Pro figura como concorrente direto e tem preço semelhante (R$ 182.990).
O Leapmotor B10 será produzido em Goiana (PE) e se posiciona entre as opções mais acessíveis do segmento, mas peca para quem espera interfaces com mais botões físicos, já que muitas funções dependem exclusivamente da central multimídia.
Com informações de G1





