Lançado na Europa em 1990 e no Brasil em 1991, o Tempra trouxe visual aerodinâmico e acabamento mais refinado. Com porta-malas de 552 litros e produção em Betim, o modelo evidenciou a capacidade industrial da Fiat.
O Fiat Tempra foi lançado na Europa em 1990 e chegou ao mercado brasileiro em novembro de 1991, marcando a entrada da fabricante italiana no segmento de modelos maiores e mais luxuosos, até então dominado principalmente pelo Chevrolet Monza e pelo Volkswagen Santana. O sedã mostrava um desenho mais aerodinâmico e funcional em relação à geração anterior, com linhas modernas que buscavam equilíbrio entre estética e eficiência.
A traseira do Tempra apresentava linhas altas e robustas, mas escondia um porta-malas generoso: 552 litros, com tampa projetada para facilitar o acesso às bagagens. Um detalhe de construção nas portas — que faziam uma curva na parte superior encaixando-se ao teto como se fossem sua continuidade — contribuía para a aerodinâmica da carroceria. Na época, o coeficiente de arrasto (Cx) declarado era de 0,32, valor surpreendente para o segmento.
Na mecânica, o conjunto motor e câmbio foi disposto transversalmente na dianteira. Inicialmente o motor 2.0 contava com duplo comando de válvulas no cabeçote, câmaras de combustão hemisféricas e velas de ignição posicionadas ao centro. Apesar dessa arquitetura refinada, esse motor entregava 99 cv de potência máxima, valor que coincidia com um limite fiscal relevante na época. O câmbio era sempre manual, com cinco marchas e engates descritos como precisos e rápidos.
O Tempra trazia opções de motorização que incluíam versões 2.0 de 8V e 16V, além de uma versão Turbo que rendia 165 cv. Posteriormente, o cabeçote de 16 válvulas passou a equipar o modelo, produzindo 127 cv, tornando o Tempra o primeiro carro produzido no Brasil a utilizar esse tipo de cabeçote.
O sistema de suspensão era independente nas quatro rodas, com uma solução traseira distinta da adotada pelo modelo europeu. A escolha visava maior robustez para as nossas ruas e estradas, mas deixava a dirigibilidade mais sensível: perto do limite de aderência, os movimentos do volante exigiam suavidade para evitar que a traseira escapasse.
O Tempra nacional foi lançado inicialmente como sedã quatro portas e, em 1992, recebeu uma versão de duas portas — a chamada “cupê” por conta da inclinação das colunas traseiras — que chegou ao mercado como modelo 1993. Em 1994, estreou a perua Tempra SW, importada da Itália com motor 2.0 e injeção multiponto, por previsão de vendas reduzidas que não justificaram produção local.
A produção brasileira do Tempra durou até o final de 1998, quando o modelo foi substituído pelo Fiat Marea, disponível em sedã e perua. Ao longo de sete anos, foram fabricadas pouco mais de 204 mil unidades das versões de quatro e duas portas, média próxima a 30 mil unidades por ano — um volume modesto frente aos líderes de mercado, mas relevante para a nova posição da Fiat no segmento de carros maiores.






