BYD estabelece meta ambiciosa e prevê aceleração com fábrica de Camaçari
A BYD anunciou ao g1 a meta de vender 600 mil veículos por ano e tornar-se a marca com maior volume de emplacamentos no Brasil até 2030. A declaração foi feita por Alexandre Baldy, vice‑presidente sênior da empresa no país, que afirmou que o objetivo contempla também atendimento ao mercado da América Latina.
A trajetória da montadora chinesa no Brasil começou em 2022, com os modelos Tan e Han, quando ainda não figurava entre as 21 fabricantes com maior volume de vendas no país. Em 2023, após o lançamento do hatch Dolphin, a BYD alcançou 17.937 unidades vendidas e o 15º lugar no ranking nacional, ficando à frente de RAM (16.951) e BMW (15.108).
Em 2024, a empresa registrou 76.811 emplacamentos e subiu para a 10ª posição, superando marcas como Caoa Chery (60.929), Ford (48.311) e Citroën (33.885). No ano seguinte, 2025, as vendas chegaram a 112.814 unidades, garantindo o 8º lugar e ficando à frente da Honda (103.460) e da Nissan (77.808). Para alcançar a meta de 600 mil carros por ano, a BYD precisaria multiplicar emplacamentos de 2025 por aproximadamente seis vezes; a líder Fiat registrou 533.710 veículos em 2025.
No varejo, o Dolphin Mini aparece como o carro mais vendido no país entre janeiro e abril de 2026, com 18.052 emplacamentos. A lista dos dez modelos mais vendidos no varejo no período é: BYD Dolphin Mini (18.052); Hyundai Creta (17.197); Volkswagen Tera (15.495); Fiat Strada (14.461); Chevrolet Tracker (14.349); Volkswagen Nivus (13.683); BYD Song (13.495); Volkswagen Polo (12.778); Hyundai HB20 (11.217); Chevrolet Onix (11.142).
Baldy relaciona a aceleração das vendas ao início da operação plena da fábrica de Camaçari (BA). Ele destacou que há no Brasil apenas um complexo com capacidade comparável — a unidade da Stellantis em Betim (MG), com potencial produtivo de até 650 mil veículos por ano — e disse esperar que Camaçari cumpra papel semelhante em menos de cinco anos.
Sobre o modelo de produção atual, a BYD concentra-se em kits quase prontos importados (regime conhecido como SKD), montados na fábrica baiana. O uso desse regime gerou atritos com outras montadoras e com a Anfavea, em razão de diferenças na carga tributária. O governo brasileiro antecipou a recomposição do imposto de importação para 35% para todos. Baldy afirmou que a intenção da empresa é evoluir gradualmente do SKD para processos industriais mais completos no país, incorporando etapas como soldagem, moldagem de peças e pintura.
O executivo também afirmou que a chegada da BYD provocou reação da concorrência diante da política de preços, descrevendo a reação dos rivais como “medo” e afirmando que a empresa deu um “tapa na cara” do setor. Baldy comparou ainda o custo de manutenção do Dolphin Mini ao de motocicletas populares, afirmando que “você gasta com 20.000 km R$ 380 para fazer uma revisão”. Ele informou que o preço do Dolphin Mini é R$ 119.990, enquanto uma Honda Biz zero aparece no exemplo com preço de R$ 13.240.
Sobre o Salão do Automóvel de São Paulo, Baldy criticou a ausência de grandes marcas e chamou a postura de alguns fabricantes de “ridícula”. Quanto à infraestrutura de recarga, dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) até fevereiro de 2026 apontam 21.061 eletropostos no país, sendo 14.582 de recarga lenta e 6.479 de recarga rápida. Baldy rebateu críticas sobre investimento em pontos de recarga, afirmou que alguns que comentam desconhecem a tecnologia ou são “ignorantes” e anunciou que as concessionárias Denza terão carregadores ultrarrápidos instalados ainda em 2026, com hubs de carregamento em discussão; modelos da marca são compatíveis com esses carregadores.
A empresa diz que seguirá aumentando a participação de etapas produtivas realizadas no Brasil até alcançar a produção completa.
Com informações de G1





