A adoção da Tarifa Branca, aliada à recarga de veículos elétricos durante a madrugada, pode resultar em uma redução de até 76% no custo de abastecimento em comparação a um carro movido a gasolina. Essa conclusão é parte de um estudo elaborado pela TR Soluções, uma empresa que se especializa em projeções tarifárias para o setor elétrico.
A Tarifa Branca estabelece valores distintos de acordo com o horário de consumo, dividindo o dia em três faixas: fora de ponta, quando a demanda do sistema é menor; ponta, no fim da tarde e início da noite, quando o consumo é mais elevado; e intermediária, que ocorre na transição entre os dois períodos. O objetivo é incentivar o uso da rede elétrica em momentos de menor pressão.
Para chegar aos resultados, o levantamento considerou um percurso mensal de 1.000 quilômetros, com rendimentos de 6 km/kWh para o carro elétrico, 12 km/l para a gasolina e 8,5 km/l para o etanol. Os cálculos foram realizados com a gasolina a R$ 6,29 e o etanol a R$ 4,21 o litro, além das tarifas de baixa tensão da Cemig já incluindo ICMS, PIS/Pasep e Cofins.
Nesse cenário, o custo mensal para abastecer um carro a gasolina chega a R$ 524, enquanto para o etanol o gasto é de R$ 495. Por outro lado, um carro elétrico, mesmo sob a tarifa convencional, apresenta um custo de R$ 197 por mês, o que representa 62% menos que o gasto com gasolina. Ao restringir a recarga ao intervalo entre 23h e 8h, que corresponde à faixa mais barata da Tarifa Branca, esse valor cai para R$ 126, resultando na economia de 76%.
O estudo também analisou um cenário mais desfavorável, onde a recarga ocorre durante o horário de pico. Nesse caso, o custo mensal sobe para R$ 355, mas ainda assim permanece 32% abaixo do que se gasta com gasolina. Além dos benefícios financeiros para os motoristas, a TR Soluções destaca que o ajuste no horário de recarga pode otimizar o uso da infraestrutura elétrica, adiando a necessidade de investimentos na expansão da rede.
“A viabilidade microeconômica da eletromobilidade passa a estar intrinsecamente ligada à discricionariedade do consumidor sobre seus horários de recarga”, afirma Helder Sousa, diretor de Regulação da empresa.
O estudo também alerta que recargas desordenadas e concentradas em horários de maior demanda podem sobrecarregar subestações e alimentadores locais. Esse ponto é crucial, considerando que o consumo diário de um veículo elétrico plug-in pode ser equivalente ao de uma residência de classe média, de acordo com a pesquisa.
A Tarifa Branca, criada pela Resolução Normativa nº 733/2016 da Aneel, está em vigor desde 2018 e é uma herdeira da Tarifa Amarela, idealizada em 1985, mas que nunca foi implementada.





