A chegada do Luce EV, primeiro veículo 100% elétrico da Ferrari, tem dado o que falar, ainda que pelos motivos errados. O design, seja exterior ou interior do novo modelo pouco agradou aos fãs da marca – mesmo aqueles que dificilmente teriam condições de comprar um veículo de Maranello.
E um dos críticos diretos ao lançamento possui gabarito completo para falar: Luca di Montezemolo, que presidiu a Ferrari de 1991 a 2014 e ainda é o chefe mais antigo desde a morte do comendador Enzo Ferrari. Na verdade foi o próprio Enzo que convidou di Montezemolo para se juntar à lendária marca italiana no início dos anos 1970 como seu assistente.
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E, em uma entrevista à imprensa nesta semana, o ex-chefe da Ferrari foi taxativo. “Se eu dissesse o que realmente penso, estaria prestando um desserviço à Ferrari. Corremos o risco de destruir uma lenda, e sinto muito por isso. Espero que, pelo menos, removam o cavalo empinado daquele carro”. Para aumentar o tom de ironia, a fábrica oferece aos futuros proprietários que, além dos habituais emblemas do cavallino rampante, ainda haja um Cavalo Empinado prateado nas portas dianteiras. Alternativamente, o EV está disponível com escudos da Scuderia Ferrari nos para-lamas dianteiros. Embora o configurador não permita ambos ao mesmo tempo, é evidente que a Ferrari quer deixar bem claro a qual marca o carro pertence, mesmo de perfil.
Para quem achava que di Montezemolo parou aí nas críticas, se enganou. Ao design ele disse que “[O Luce] é certamente um carro que, pelo menos, os chineses não vão copiar”. É inegável que o Luce representa uma mudança de paradigma na marca e que, por si só, já se torna um modelo histórico para a Ferrari. Por outro lado, o design representa uma ruptura com tudo que já se viu da marca, causando até mesmo dificuldade de reconhecê-lo como uma Ferrari, coisa que nem mesmo o SUV Purosangue faz.





